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MIGS substitui colírios no tratamento do glaucoma?

MIGS substitui colírios no tratamento do glaucoma?

5 de out.
5 min de leitura

Para quem convive com glaucoma, aplicar colírios todos os dias pode se tornar uma tarefa difícil e cansativa. Esquecimentos, ardor, vermelhidão, custos recorrentes e a necessidade de usar mais de uma medicação são situações frequentes. Nesse contexto, é natural perguntar: MIGS substitui colírios? A resposta é que pode reduzir a necessidade de gotas em pacientes selecionados, mas não representa uma substituição automática nem definitiva para todos os casos.

O glaucoma é uma doença crônica que lesa progressivamente o nervo óptico, geralmente em decorrência da pressão intraocular elevada. A visão perdida pelo glaucoma não é recuperada. Por isso, todo tratamento tem um objetivo claro: reduzir a pressão ocular a um nível seguro para preservar a visão que ainda existe.

O que é MIGS no tratamento do glaucoma?

MIGS é a sigla em inglês para cirurgias minimamente invasivas do glaucoma. São procedimentos desenvolvidos para melhorar a drenagem do líquido interno do olho, chamado humor aquoso, e diminuir a pressão intraocular com menor agressão aos tecidos quando comparados às cirurgias tradicionais.

Essas técnicas podem atuar em diferentes estruturas responsáveis pela saída do líquido ocular. Conforme o tipo de glaucoma, a anatomia do olho, a pressão-alvo e o estágio da doença, o cirurgião pode indicar dispositivos ou procedimentos que favoreçam esse escoamento.

Em muitos casos, a cirurgia MIGS é realizada junto à cirurgia de catarata. Essa associação é especialmente relevante porque a remoção do cristalino opaco já pode contribuir para uma redução da pressão em determinados pacientes, enquanto o procedimento para glaucoma amplia o potencial de controle pressórico e de diminuição dos medicamentos.

A principal vantagem está no equilíbrio entre eficácia e segurança. Em geral, MIGS apresenta recuperação mais confortável e menor risco de algumas complicações associadas às cirurgias filtrantes convencionais. Por outro lado, sua capacidade de baixar a pressão pode não ser suficiente para glaucomas avançados que exigem metas pressóricas muito baixas.

MIGS substitui colírios em quais situações?

A cirurgia pode permitir a redução do número de colírios e, em alguns pacientes, a suspensão temporária ou prolongada das gotas. O resultado, porém, depende de fatores individuais. Não é correto prometer que todo paciente ficará livre de medicação após um MIGS.

A indicação costuma ser mais favorável para pessoas com glaucoma leve a moderado, especialmente glaucoma de ângulo aberto, que apresentam dificuldade para manter o tratamento com colírios ou efeitos adversos importantes. Também pode ser uma alternativa para quem usa dois ou mais medicamentos e será submetido à cirurgia de catarata.

Há pacientes que aplicam os colírios corretamente, mas ainda assim mantêm pressão acima do alvo. Outros não conseguem aderir à rotina por limitação de mobilidade, tremor nas mãos, problemas de memória, rotina de trabalho ou dependência de familiares. Nesses casos, diminuir a carga de medicamentos pode trazer mais autonomia e maior regularidade no controle da doença.

No entanto, a necessidade de colírios após a cirurgia não significa que o tratamento falhou. Se a pressão ainda precisar de uma gota diária, por exemplo, mas o paciente antes usava três princípios ativos e permanecia fora da meta, houve ganho clínico relevante. O sucesso deve ser avaliado pela proteção do nervo óptico, e não apenas pela ausência completa de frascos em casa.

Quando os colírios continuam sendo necessários

Colírios seguem sendo uma parte central do tratamento do glaucoma. Eles são frequentemente a primeira opção porque reduzem a pressão de forma eficaz, são aplicados no dia a dia e não exigem procedimento cirúrgico inicial.

Mesmo após um MIGS, o oftalmologista pode manter ou reintroduzir medicações se a pressão aumentar com o passar do tempo. O glaucoma é uma doença de acompanhamento contínuo. A resposta à cirurgia varia, e alterações naturais na drenagem ocular podem modificar o resultado ao longo dos anos.

Pacientes com glaucoma avançado, pressão muito elevada ou progressão rápida de lesão do nervo óptico podem precisar de alternativas com maior potencial de redução pressórica. Dependendo da avaliação, isso pode incluir trabeculoplastia seletiva a laser, conhecida como SLT, cirurgia filtrante ou implantes de drenagem. A melhor técnica não é necessariamente a menos invasiva, mas aquela capaz de atingir a pressão-alvo com segurança.

Também existem tipos de glaucoma nos quais a estratégia é diferente. No glaucoma de ângulo fechado, por exemplo, a anatomia da câmara anterior e a presença de catarata têm peso importante na decisão. Uma iridotomia a laser ou a cirurgia de catarata pode ser indicada antes ou em conjunto com outras abordagens. Por isso, a palavra MIGS não define uma solução única para todas as pessoas com glaucoma.

A avaliação que define a melhor estratégia

A decisão entre manter colírios, indicar laser ou realizar cirurgia exige uma avaliação detalhada. A pressão medida em uma única consulta não é suficiente. É preciso analisar o aspecto do nervo óptico, a espessura da córnea, o campo visual, exames de imagem como a tomografia de coerência óptica e a anatomia do ângulo de drenagem.

O histórico também orienta a conduta. O médico considera quais colírios já foram usados, se houve alergia ou intolerância, como a pressão se comportou ao longo do tempo e se há progressão nos exames. A rotina e a capacidade do paciente de usar corretamente as gotas são igualmente relevantes.

A técnica cirúrgica deve ser escolhida de forma individualizada. Um procedimento adequado para uma pessoa com catarata e glaucoma inicial pode não oferecer o controle necessário para alguém com dano avançado de campo visual. A segurança está justamente em não tratar situações diferentes como se fossem iguais.

Como é a recuperação após um MIGS?

Na maior parte das vezes, o procedimento é ambulatorial e realizado com anestesia local associada à sedação. Quando combinado à cirurgia de catarata, o tempo cirúrgico pode ser apenas um pouco maior do que o da operação de catarata isolada.

Após a cirurgia, é comum utilizar colírios anti-inflamatórios e antibióticos por um período definido pelo oftalmologista. Em alguns casos, o medicamento para glaucoma é suspenso inicialmente; em outros, ele é mantido até que a pressão se estabilize. A conduta depende do resultado em cada retorno.

Nos primeiros dias, pode ocorrer visão embaçada, sensação de areia ou discreto desconforto. Dor intensa, queda importante da visão, secreção ou vermelhidão progressiva exigem contato imediato com a equipe médica. As consultas de acompanhamento são indispensáveis porque a pressão ocular precisa ser monitorada de perto no período pós-operatório.

O paciente também deve evitar esforço físico intenso, piscina e manipulação dos olhos durante a fase inicial de recuperação. A liberação das atividades acontece de acordo com a evolução clínica, e não por uma regra fixa para todos.

Reduzir gotas é um meio, não o objetivo final

Menos colírios pode significar menos irritação ocular, menor dificuldade na rotina e mais conforto. Esses benefícios têm valor real, sobretudo para pessoas que convivem há anos com múltiplas medicações. Ainda assim, o foco do tratamento não é simplesmente eliminar gotas, mas evitar que o glaucoma continue comprometendo a visão.

Com mais de 15 anos de experiência e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella avalia cada caso de forma individual, considerando o estágio do glaucoma, os exames, a pressão-alvo e as necessidades práticas de cada paciente. Uma consulta especializada permite definir se os colírios ainda oferecem o melhor controle ou se laser e cirurgia minimamente invasiva podem trazer uma alternativa mais adequada para preservar a visão com segurança.

 
 
 

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