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PRK versus SMILE: qual cirurgia refrativa?

PRK versus SMILE: qual cirurgia refrativa?

há 2 dias
5 min de leitura

A decisão entre PRK versus SMILE cirurgia não deve começar pela técnica mais nova ou pela recuperação aparentemente mais rápida. Ela começa pela córnea, pelo grau de miopia ou astigmatismo, pela estabilidade da refração e pelas necessidades reais de cada pessoa. O objetivo da cirurgia refrativa é reduzir a dependência de óculos ou lentes de contato com segurança, preservando a saúde ocular no longo prazo.

Para alguns pacientes, o SMILE pode oferecer retorno mais confortável às atividades. Para outros, o PRK é a opção mais adequada por características da córnea ou pelo estilo de vida. A indicação correta exige exame oftalmológico completo, com medidas precisas e avaliação individualizada.

O que é PRK?

A PRK, sigla para ceratectomia fotorrefrativa, é uma técnica de cirurgia refrativa a laser utilizada há décadas e com resultados previsíveis. Nela, o epitélio, camada mais superficial da córnea, é removido para que o laser remodela o tecido corneano e corrija o erro refrativo.

Após a aplicação do laser, uma lente de contato terapêutica é posicionada sobre o olho. Ela protege a superfície enquanto o epitélio se regenera, processo que costuma ocorrer nos primeiros dias. A recuperação visual é gradual: há desconforto, ardor, lacrimejamento e sensibilidade à luz no início, e a nitidez da visão melhora progressivamente nas semanas seguintes.

A grande vantagem do PRK é preservar uma quantidade maior de tecido corneano profundo, pois não há criação de flap, uma lâmina na córnea. Por isso, pode ser especialmente indicada quando a córnea é mais fina, desde que os demais exames confirmem segurança para o procedimento. Também é uma alternativa frequentemente considerada para pessoas que praticam esportes de contato ou exercem atividades com maior risco de trauma ocular.

Como funciona a cirurgia SMILE?

SMILE significa Small Incision Lenticule Extraction. É uma técnica realizada com laser de femtossegundo, que cria um pequeno disco de tecido dentro da córnea, chamado lentícula. Essa lentícula é retirada por uma microincisão, alterando o formato corneano para corrigir principalmente miopia e astigmatismo miópico.

Ao contrário do PRK, o SMILE não exige remoção do epitélio em toda a área central da córnea. Em comparação com técnicas que criam flap, também utiliza uma incisão pequena. Na prática, isso costuma proporcionar menor desconforto inicial e recuperação funcional mais rápida para muitos pacientes.

É comum que a pessoa consiga retomar tarefas leves em pouco tempo, conforme orientação médica. Ainda assim, recuperação rápida não significa resultado final instantâneo. A estabilidade visual, a adaptação da superfície ocular e os cuidados pós-operatórios precisam ser acompanhados em consultas programadas.

PRK versus SMILE cirurgia: as diferenças que orientam a escolha

A comparação entre as técnicas não é uma disputa entre procedimento antigo e moderno. Ambas são opções consolidadas dentro da cirurgia refrativa, mas atuam de formas diferentes na córnea e têm indicações próprias.

No PRK, o período inicial tende a exigir mais paciência. Os primeiros dias podem envolver dor ou incômodo relevante, visão embaçada e necessidade mais intensa de colírios. A recuperação visual é mais lenta, embora os resultados finais possam ser excelentes quando a indicação é adequada. O acompanhamento é essencial também para reduzir o risco de opacidade corneana, conhecida como haze, especialmente em correções mais elevadas.

No SMILE, a recuperação costuma ser mais confortável e a visão funcional pode melhorar mais cedo. Muitos pacientes valorizam esse aspecto por causa do trabalho, da rotina familiar ou da dificuldade de interromper atividades por vários dias. Entretanto, nem todo grau ou formato de córnea permite a técnica, e a disponibilidade da tecnologia não substitui o critério médico.

A diferença também está nos erros refrativos tratados. O SMILE é direcionado principalmente à miopia e ao astigmatismo associado à miopia, dentro dos limites técnicos e de segurança. O PRK pode atender outros perfis refrativos, incluindo casos selecionados de hipermetropia, conforme a análise individual. Portanto, uma pessoa que deseja corrigir hipermetropia não deve presumir que o SMILE será a melhor alternativa apenas por ser menos invasivo na superfície.

A espessura da córnea define a técnica?

A espessura corneana é um dado importante, mas não decide sozinha. O oftalmologista avalia o mapa da córnea, a regularidade de sua curvatura, a distribuição da espessura, o grau a ser corrigido e a quantidade de tecido que permanecerá após o laser. Esse conjunto de informações ajuda a identificar se a córnea tem condições estruturais adequadas para a cirurgia.

A topografia e a tomografia de córnea são fundamentais nesse processo. Elas podem revelar alterações discretas que não aparecem em uma avaliação superficial, incluindo sinais de fragilidade corneana. Em situações de suspeita de ceratocone ou risco de ectasia, a cirurgia refrativa a laser pode não ser recomendada, mesmo que a pessoa tenha grau estável e deseje abandonar os óculos.

A qualidade da lágrima também merece atenção. Olho seco, ardor frequente, sensação de areia, oscilação visual e uso intenso de telas devem ser investigados antes da definição da técnica. O tratamento da superfície ocular pode ser necessário antes da cirurgia para aumentar o conforto e tornar as medidas pré-operatórias mais confiáveis.

Quem pode ser candidato a PRK ou SMILE?

Em geral, a avaliação é considerada quando o paciente tem grau estável, maioridade e desejo real de reduzir a dependência de correção óptica. Porém, não basta ter miopia, astigmatismo ou hipermetropia. A indicação depende de uma análise clínica completa e de expectativas compatíveis com o resultado possível.

Gestação e amamentação normalmente exigem adiamento, pois alterações hormonais podem modificar temporariamente a refração e a estabilidade da superfície ocular. Doenças oculares, certas alterações sistêmicas, uso de medicamentos específicos e histórico de cicatrização anormal também podem mudar a conduta.

Outro ponto decisivo é a expectativa. Cirurgia refrativa não garante visão perfeita em todas as condições de iluminação e não impede mudanças naturais do olho ao longo da vida. Após os 40 anos, por exemplo, a presbiopia pode exigir óculos para leitura, mesmo em pessoas que enxergavam bem de longe após a cirurgia. Em graus elevados, pode haver necessidade de ajuste ou de uso eventual de óculos para tarefas específicas.

O que esperar da consulta pré-operatória

A consulta de avaliação deve ir além da medição do grau. O exame inclui análise da acuidade visual, pressão ocular, pupila, lágrimas, retina e córnea, além de exames de imagem e espessura corneana. Lentes de contato podem alterar temporariamente a forma da córnea, por isso sua suspensão antes dos exames deve seguir a orientação do oftalmologista.

Também é o momento de discutir hábitos e prioridades. Quem trabalha em ambiente com poeira, pratica luta, dirige à noite com frequência ou depende de retorno rápido ao computador pode ter necessidades diferentes. A melhor técnica não é a mais divulgada, mas aquela que combina segurança anatômica, resultado visual e recuperação compatível com a rotina.

Com 15 anos de experiência, doutorado em Oftalmologia pela UNICAMP e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella conduz essa decisão com avaliação criteriosa e foco na preservação da visão. A indicação é feita com base nos exames, e não em uma escolha prévia do paciente pela técnica.

Cuidados após a cirurgia refrativa

Tanto no PRK quanto no SMILE, o resultado depende também de adesão ao pós-operatório. Os colírios devem ser usados nos horários prescritos, sem interrupções ou substituições por conta própria. Não coçar os olhos, evitar piscina e exposição a poeira no período orientado, usar proteção solar quando indicada e comparecer aos retornos são medidas que protegem a recuperação.

Visão embaçada transitória, halos em torno das luzes e variações de nitidez podem ocorrer durante a adaptação, especialmente à noite. Entretanto, dor intensa, piora súbita da visão, secreção ou vermelhidão acentuada exigem contato imediato com a equipe responsável. Segurança cirúrgica inclui reconhecer precocemente qualquer sinal fora do esperado.

A escolha entre PRK e SMILE deve trazer tranquilidade, não pressa. Uma avaliação refrativa bem conduzida esclarece o que seus olhos permitem, quais resultados são realistas e qual caminho oferece a melhor relação entre qualidade visual, segurança e recuperação para a sua vida.

 
 
 

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