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Como usar colírio para glaucoma corretamente

14 de ago.
5 min de leitura

A pressão ocular não costuma causar dor ou embaçamento no glaucoma crônico. Por isso, o colírio precisa ser usado todos os dias mesmo quando a visão parece normal. Saber como usar colírio para glaucoma corretamente faz parte do tratamento: a medicação reduz a pressão dentro do olho e ajuda a preservar o nervo óptico, estrutura que pode sofrer danos irreversíveis com a progressão da doença.

O glaucoma exige acompanhamento contínuo. O colírio não recupera a visão que já foi perdida, mas pode reduzir de forma significativa o risco de novas lesões quando é escolhido, aplicado e acompanhado de maneira adequada.

Como usar colírio para glaucoma passo a passo

Comece lavando as mãos com água e sabonete. Confira no frasco se aquele é o medicamento prescrito, observe o prazo de validade e agite-o apenas se houver essa orientação na bula ou na receita. Alguns colírios são suspensões e precisam ser agitados; outros não. Na dúvida, confirme com o oftalmologista ou com a equipe da farmácia.

Incline a cabeça levemente para trás ou deite-se. Com o dedo indicador, puxe com delicadeza a pálpebra inferior para formar uma pequena bolsa entre a pálpebra e o olho. Segure o frasco com a outra mão e aproxime-o sem encostar a ponta nos cílios, na pele ou no olho.

Aperte o frasco para pingar apenas uma gota. O olho não comporta duas gotas de uma vez: o excesso escorre para fora ou segue pelo canal lacrimal, sem aumentar o efeito do tratamento. Em seguida, feche os olhos suavemente, sem apertá-los.

O passo que muitos pacientes deixam de fazer é a oclusão do ponto lacrimal. Com um dedo limpo, pressione de leve o canto interno do olho, próximo ao nariz, por um a dois minutos. Essa manobra reduz a drenagem do medicamento para o nariz e a garganta, melhora sua permanência na superfície ocular e pode diminuir a absorção pelo organismo.

Se uma parte do colírio escorrer pela face, seque sem esfregar o olho. Caso não tenha certeza de que a gota entrou, não pingue outra imediatamente. Espere alguns minutos e observe se houve a aplicação. O uso repetido sem necessidade pode elevar o risco de ardor, vermelhidão e efeitos adversos, dependendo da classe prescrita.

Se o tratamento envolve mais de um colírio

É comum que o controle da pressão ocular exija associação de medicamentos. Nesse caso, aguarde pelo menos cinco minutos entre um colírio e outro. Aplicar os dois em sequência dilui o primeiro medicamento e reduz o aproveitamento da dose.

Pomadas oftalmológicas, quando prescritas, geralmente devem ser usadas por último, pois formam uma camada que pode dificultar a penetração das gotas. A ordem exata e os horários devem seguir a receita médica. Não troque produtos, concentrações ou horários por conta própria, mesmo que dois frascos tenham nomes parecidos.

Horário fixo é parte do efeito do tratamento

A regularidade é tão relevante quanto a técnica de aplicação. Cada colírio para glaucoma tem um mecanismo de ação e uma duração determinados. Alguns são usados uma vez ao dia, habitualmente à noite; outros precisam ser aplicados duas ou três vezes ao dia. A orientação varia conforme a substância, o estágio do glaucoma, a pressão-alvo e as condições clínicas de cada paciente.

Criar uma rotina reduz esquecimentos. O horário pode ser associado a um hábito diário, como escovar os dentes à noite ou tomar um medicamento de uso contínuo. Alarmes no celular também ajudam, especialmente para quem utiliza mais de um frasco.

Se esquecer uma dose, a conduta depende de quanto tempo falta para a próxima aplicação. Em geral, se lembrar pouco tempo depois, use a dose esquecida. Se estiver perto do horário seguinte, não dobre a quantidade: retome o esquema habitual. Como há exceções conforme o medicamento, vale confirmar previamente com o oftalmologista qual orientação se aplica à sua prescrição.

Erros que prejudicam o controle do glaucoma

Interromper o colírio porque o olho está bem é um dos erros mais perigosos. O glaucoma pode evoluir silenciosamente, e a pressão pode voltar a subir antes que o paciente perceba qualquer alteração. A ausência de sintomas não significa que a doença esteja controlada.

Também é inadequado compartilhar frascos, utilizar medicação de outra pessoa ou recorrer a colírios “para tirar vermelhidão” sem avaliação. Alguns produtos podem mascarar sinais de irritação ou não são apropriados para pacientes com determinadas condições oculares.

Outro problema é tocar a ponta do frasco no olho. Isso pode contaminar o medicamento e aumentar o risco de infecção. Se a ponta encostar em uma superfície, limpe somente a parte externa conforme a orientação do fabricante. Não lave o bico com água e não tente perfurá-lo ou alargá-lo com agulhas.

Quem usa lentes de contato deve informar isso na consulta. Certos colírios contêm conservantes que podem ser absorvidos pelas lentes. Em muitos casos, é necessário retirar as lentes antes da aplicação e recolocá-las após o intervalo indicado pelo médico. Essa recomendação não é igual para todos os produtos.

Ardor, olhos vermelhos e outros efeitos: quando avisar o oftalmologista

Uma sensação breve de ardor ou gosto amargo na boca pode ocorrer após algumas gotas. Olho vermelho, ressecamento, lacrimejamento e escurecimento gradual da pele ao redor dos olhos também podem estar relacionados a determinados medicamentos. Há colírios que podem alterar a cor da íris em alguns pacientes ou estimular o crescimento dos cílios.

Essas reações não significam, automaticamente, que o tratamento deve ser suspenso. A decisão precisa considerar o benefício no controle da pressão e a intensidade do desconforto. Muitas vezes, é possível ajustar a formulação, o conservante, a frequência ou a associação de medicamentos.

Procure avaliação sem demora se houver dor ocular intensa, perda visual súbita, náuseas, vômitos, inchaço importante das pálpebras, falta de ar, palpitações ou reação alérgica. Em especial, dor forte associada a visão embaçada, halos ao redor das luzes e mal-estar pode indicar uma elevação aguda da pressão ocular e requer atendimento urgente.

O colírio nem sempre é a única solução

O tratamento do glaucoma é individualizado. Para alguns pacientes, o colírio oferece controle satisfatório por muitos anos. Para outros, a pressão permanece acima da meta, há dificuldade em manter a rotina, intolerância aos efeitos ou progressão nas avaliações do nervo óptico e do campo visual.

Nessas situações, procedimentos a laser, como a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT), podem ser considerados em tipos específicos de glaucoma. Há ainda técnicas cirúrgicas indicadas quando é necessário reduzir a pressão de forma mais consistente. A escolha depende do tipo de glaucoma, da espessura da córnea, do grau de dano já existente, da pressão-alvo e da resposta ao tratamento clínico.

O objetivo não é simplesmente baixar um número no aparelho. É alcançar uma pressão segura para aquele olho e manter a visão funcional pelo maior tempo possível. Por isso, consultas de acompanhamento com medida da pressão, avaliação do nervo óptico, exame de campo visual e exames de imagem são indispensáveis, mesmo para quem aplica o colírio corretamente.

Com 15 anos de experiência e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella realiza a avaliação individualizada do glaucoma em Campinas e Paulínia, definindo quando o tratamento clínico é suficiente e quando laser ou cirurgia podem oferecer melhor controle.

Usar a gota certa, no horário certo e com a técnica correta é uma atitude diária de preservação da visão. Se a aplicação tem sido difícil, se o frasco acaba antes do esperado ou se surgiram efeitos incômodos, leve essas informações à consulta: pequenos ajustes podem fazer uma diferença decisiva no controle da doença.

 
 
 

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