
Quando indicar a trabeculoplastia seletiva a laser
- 12 de ago.
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Para muitas pessoas com glaucoma, a rotina de usar colírios todos os dias não é simples. Esquecimentos, ardor, custo contínuo, dificuldade para aplicar corretamente e controle insuficiente da pressão ocular podem comprometer a proteção do nervo óptico. A trabeculoplastia seletiva a laser, também chamada de SLT, é uma alternativa precisa para reduzir a pressão intraocular e pode diminuir a dependência de medicamentos em casos selecionados.
O glaucoma é uma doença progressiva que lesa o nervo óptico, estrutura responsável por transmitir ao cérebro as informações captadas pelos olhos. Na maioria das vezes, essa lesão está relacionada à pressão intraocular acima do nível seguro para aquele paciente. Como a perda visual causada pelo glaucoma não costuma ser recuperada, o objetivo do tratamento é impedir ou retardar a progressão da doença.
O que é a trabeculoplastia seletiva a laser?
A SLT é um procedimento realizado no consultório ou em ambiente ambulatorial, sem cortes e sem necessidade de internação. O laser é aplicado sobre a malha trabecular, uma estrutura localizada no ângulo de drenagem do olho. Essa região participa da saída do humor aquoso, líquido produzido continuamente dentro do globo ocular.
Quando essa drenagem encontra resistência, o líquido se acumula e a pressão intraocular pode aumentar. O laser atua de forma seletiva em células pigmentadas da malha trabecular e induz uma resposta biológica que melhora o escoamento do humor aquoso. Com a drenagem mais eficiente, a pressão tende a diminuir.
O termo seletiva é relevante porque a técnica busca preservar a estrutura do tecido tratado. Isso distingue a SLT de métodos mais antigos de laser que produziam maior efeito térmico e cicatricial. Ainda assim, a indicação deve ser individualizada: nem toda pressão elevada decorre de um mecanismo que responderá a esse tratamento.
Para quem a SLT costuma ser indicada?
A trabeculoplastia seletiva a laser é utilizada principalmente em pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto e, em situações avaliadas pelo oftalmologista, em alguns tipos de glaucoma secundário de ângulo aberto. Ela pode ser proposta como primeira opção terapêutica ou como complemento aos colírios.
Como tratamento inicial, é uma possibilidade para quem deseja evitar ou postergar o uso contínuo de colírios, desde que as características do glaucoma sejam favoráveis. Como tratamento complementar, pode ajudar quando a pressão permanece acima da meta mesmo com medicamentos ou quando há dificuldade de adesão ao tratamento diário.
Também pode ser uma opção útil para pacientes que apresentam efeitos adversos com colírios, como vermelhidão, coceira, ardor, escurecimento da pele ao redor dos olhos ou alterações na superfície ocular. No entanto, reduzir o número de frascos não é, por si só, o principal objetivo. A prioridade é atingir uma pressão ocular segura para preservar o campo visual e o nervo óptico.
Há casos em que a SLT não é a escolha adequada. Olhos com ângulo estreito ou fechado, inflamação ocular ativa, alterações importantes da córnea ou determinadas formas de glaucoma podem exigir outro tipo de abordagem. Em doença avançada, quando é necessária uma queda expressiva e rápida da pressão, cirurgias de glaucoma podem oferecer um resultado mais compatível com a necessidade clínica.
A meta de pressão não é igual para todos
Uma pressão considerada normal em uma pessoa pode ser alta para outra que já apresenta dano significativo no nervo óptico. Por isso, a indicação não deve se basear apenas no valor encontrado em uma medida isolada.
A avaliação inclui pressão intraocular, aspecto do nervo óptico, exame de campo visual, tomografia de coerência óptica e espessura corneana, entre outros dados. A velocidade de progressão da doença, a idade, o uso correto dos colírios e as condições de saúde também influenciam a decisão.
Como é feito o procedimento?
No dia da SLT, o paciente recebe colírios anestésicos. Em seguida, uma lente de contato específica é posicionada sobre o olho para permitir a visualização adequada da malha trabecular e a aplicação do laser. A lente pode causar uma leve sensação de pressão, mas o procedimento não costuma ser doloroso.
A aplicação leva poucos minutos. O paciente permanece acordado, sentado diante do aparelho, e precisa manter o olhar em uma direção indicada pelo médico. Podem ser percebidos clarões de luz durante o tratamento.
Após o laser, a pressão intraocular é verificada. Em alguns casos, o oftalmologista prescreve colírios por um período curto e orienta a manutenção ou o ajuste das medicações que já estavam em uso. Não se deve suspender nenhum colírio de glaucoma por conta própria, mesmo quando a expectativa é reduzir medicamentos após a SLT.
Recuperação e cuidados depois do laser
Em geral, é possível voltar para casa no mesmo dia e retomar atividades leves rapidamente. A visão pode ficar levemente embaçada por algumas horas, especialmente pela lente utilizada durante o procedimento e pelos colírios. Por segurança, é recomendável ir acompanhado e evitar dirigir logo após a aplicação.
Vermelhidão discreta, sensibilidade à luz e sensação de irritação podem ocorrer temporariamente. O acompanhamento nas semanas seguintes é decisivo, pois a queda da pressão não é necessariamente imediata. O efeito costuma se consolidar ao longo de algumas semanas, período em que o médico avalia se a resposta atingiu a meta definida para aquele olho.
Dor ocular intensa, piora importante da visão, náusea ou vermelhidão acentuada não devem ser ignoradas. Embora complicações relevantes sejam incomuns, esses sinais exigem contato médico sem demora para descartar elevação aguda da pressão ou inflamação mais intensa.
Quais resultados podem ser esperados?
A resposta à trabeculoplastia seletiva a laser varia. Muitos pacientes apresentam redução clinicamente significativa da pressão intraocular, mas a magnitude do efeito depende da pressão antes do procedimento, do tipo de glaucoma, do estado da malha trabecular e da resposta individual do olho.
Em termos práticos, alguns pacientes conseguem controlar a pressão com menos colírios; outros precisam manter o mesmo esquema medicamentoso, mas alcançam uma pressão mais segura; e há quem não tenha a redução esperada. Por esse motivo, a SLT não é promessa de eliminação definitiva dos medicamentos nem substitui o seguimento regular.
O efeito também pode diminuir com o tempo. Em determinados casos, a técnica pode ser repetida, pois tende a causar menos dano estrutural à malha trabecular do que procedimentos térmicos antigos. A possibilidade de repetição, porém, precisa ser avaliada de acordo com a resposta anterior e o estágio do glaucoma.
SLT, colírios ou cirurgia: qual é a melhor escolha?
Não existe uma única resposta para todos os pacientes. Os colírios continuam sendo muito eficazes para várias pessoas, desde que usados corretamente e com boa tolerância. A SLT oferece a vantagem de não depender da aplicação diária e de evitar efeitos relacionados ao uso contínuo de alguns medicamentos.
Já as cirurgias de glaucoma, incluindo técnicas minimamente invasivas e procedimentos filtrantes, podem ser mais indicadas quando a doença exige redução maior da pressão, há progressão apesar do tratamento ou o mecanismo do glaucoma não responde adequadamente ao laser. Em pacientes com catarata e glaucoma, o planejamento também pode considerar a combinação de procedimentos para tratar as duas condições de forma estratégica.
A escolha deve considerar o olho como um todo, e não apenas a conveniência de abandonar colírios. Uma decisão segura equilibra a gravidade do glaucoma, o risco de perda visual, a meta pressórica e as possibilidades terapêuticas disponíveis.
Avaliação especializada faz diferença no controle do glaucoma
O glaucoma pode avançar sem dor e sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Quando a visão lateral começa a falhar, parte do dano ao nervo óptico já pode ser permanente. Por isso, pessoas com histórico familiar da doença, pressão ocular elevada, diabetes, miopia alta, uso prolongado de corticoides ou idade acima de 40 anos devem manter acompanhamento oftalmológico regular.
Com 15 anos de experiência, mais de 15 mil procedimentos realizados e doutorado em Oftalmologia pela UNICAMP, o Dr. Kleyton Barella realiza uma avaliação detalhada para definir se a SLT, os colírios ou a cirurgia representam a opção mais adequada para cada caso. O tratamento bem indicado não se mede apenas pela pressão obtida no consultório, mas pela preservação consistente da visão ao longo dos anos.
Se há dificuldade para controlar a pressão ocular, intolerância aos colírios ou dúvida sobre a indicação do laser, uma consulta especializada permite transformar dados de exames em uma estratégia objetiva de proteção visual.



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