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Quando indicar iridotomia a laser para glaucoma

13 de ago.
5 min de leitura

Uma crise de glaucoma de ângulo fechado pode surgir de forma rápida, com dor ocular intensa, olho vermelho, visão embaçada, halos ao redor das luzes, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Nessa situação, cada hora conta para proteger o nervo óptico. A iridotomia a laser para glaucoma é um procedimento que cria uma pequena abertura na íris para melhorar a circulação do humor aquoso dentro do olho e reduzir o risco de bloqueio do ângulo de drenagem.

Ela não é indicada para todos os tipos de glaucoma. Sua principal aplicação está nos olhos com ângulo estreito ou fechado, especialmente quando há risco de fechamento angular agudo. A decisão depende de uma avaliação oftalmológica completa, com exame do ângulo ocular, medida da pressão intraocular e análise do nervo óptico.

O que é a iridotomia a laser para glaucoma

A iridotomia periférica a laser consiste na realização de uma microabertura na parte mais periférica da íris, geralmente escondida pela pálpebra superior. O objetivo é criar uma via alternativa para a passagem do humor aquoso, líquido produzido continuamente dentro do olho.

Em algumas pessoas, a anatomia ocular favorece o contato entre a íris e o cristalino. Isso pode dificultar a passagem do líquido da parte posterior para a parte anterior do olho, empurrando a íris para a frente e estreitando ainda mais o ângulo de drenagem. Esse mecanismo é chamado de bloqueio pupilar.

Quando o ângulo se fecha, o humor aquoso deixa de escoar adequadamente e a pressão intraocular pode subir de forma abrupta. A iridotomia reduz esse componente do bloqueio pupilar ao equilibrar a pressão entre as duas regiões do olho. É uma intervenção preventiva em muitos casos e, em outros, faz parte do controle após uma crise de fechamento angular.

Em quais situações o procedimento é indicado

A indicação mais comum é o ângulo estreito identificado na gonioscopia, exame feito com uma lente específica que permite ao oftalmologista observar a região de drenagem do olho. O paciente pode não sentir nada e ainda assim apresentar risco anatômico para fechamento do ângulo.

A iridotomia também pode ser recomendada para pessoas que já tiveram uma crise de glaucoma agudo em um dos olhos. Nesses casos, o outro olho frequentemente possui anatomia semelhante e pode precisar de tratamento preventivo, mesmo sem sintomas. Em olhos que sofreram fechamento angular, o procedimento pode ser realizado depois que a pressão é controlada com medicamentos e medidas de urgência.

Há ainda situações em que o exame mostra alterações compatíveis com glaucoma por fechamento angular, como aumento da pressão, danos ao nervo óptico ou aderências entre a íris e a estrutura de drenagem. A abertura na íris pode ser uma etapa essencial do tratamento, mas não garante, isoladamente, que a pressão ficará normal em todos os pacientes.

Isso acontece porque o glaucoma de ângulo fechado pode ter mais de um mecanismo. Se já houver aderências extensas, dano estabelecido na drenagem, cristalino volumoso ou outras alterações anatômicas, podem ser necessários colírios, cirurgia de catarata, procedimentos para glaucoma ou uma combinação de abordagens. A iridotomia trata especificamente o componente relacionado ao bloqueio pupilar.

Quando ela não substitui outros tratamentos

A expressão “glaucoma” reúne doenças diferentes. No glaucoma primário de ângulo aberto, que é mais frequente, a iridotomia normalmente não é o tratamento indicado. Nessa condição, o ângulo está aberto, mas a drenagem do humor aquoso funciona de forma insuficiente. O controle pode envolver colírios, trabeculoplastia seletiva a laser, cirurgia ou acompanhamento periódico, conforme o estágio da doença.

Também é fundamental compreender que a iridotomia não recupera fibras do nervo óptico que já foram perdidas. A perda visual provocada pelo glaucoma costuma ser irreversível. Por isso, o benefício real do procedimento está em prevenir uma elevação perigosa da pressão, reduzir novas agressões ao nervo e preservar a visão restante.

Em alguns olhos, o ângulo continua estreito mesmo após uma iridotomia bem realizada. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando o cristalino ocupa muito espaço e mantém a íris projetada para a frente. Nesses casos, a cirurgia de catarata pode ampliar o espaço interno do olho e melhorar a anatomia do ângulo, inclusive quando a catarata ainda não causa limitação visual importante. A decisão deve considerar idade, grau de estreitamento, pressão ocular, aspecto do nervo óptico e impacto da doença na rotina.

Como é feita a iridotomia a laser

A iridotomia é realizada em ambiente oftalmológico, geralmente de forma ambulatorial. Antes do laser, podem ser aplicados colírios para reduzir a pressão ocular e preparar a pupila. Em seguida, o olho é anestesiado com colírio e uma lente é posicionada sobre a córnea para permitir a focalização precisa do laser.

O médico escolhe uma área periférica da íris e aplica disparos controlados até formar uma abertura adequada. O paciente pode perceber luzes intensas e algum desconforto breve, mas o procedimento costuma ser bem tolerado. A sessão, incluindo preparo e reavaliação, normalmente é rápida.

Após o laser, a pressão intraocular é medida novamente. Também pode ser prescrito colírio anti-inflamatório por alguns dias. Em geral, a pessoa retorna às atividades leves no mesmo dia ou no dia seguinte, seguindo as orientações individuais. Não é recomendável dirigir logo após o procedimento se a visão estiver embaçada pela lente de contato, pelos colírios ou pela dilatação pupilar.

Cuidados após o procedimento e acompanhamento

Ardor discreto, sensibilidade à luz, lacrimejamento e visão temporariamente turva podem acontecer nas primeiras horas. Esses sintomas tendem a melhorar rapidamente. Ainda assim, dor forte, piora importante da visão, náuseas, vermelhidão intensa ou persistência dos sintomas exigem contato imediato com o oftalmologista ou avaliação de urgência.

O retorno é parte indispensável do tratamento. Na consulta pós-procedimento, o médico confirma se a abertura está pérvia, verifica a pressão intraocular e reavalia o ângulo. Em certas situações, a abertura pode ser pequena, fechar parcialmente com o tempo ou não ser suficiente para resolver todo o estreitamento. Quando isso ocorre, pode ser necessário complementar o laser ou discutir outra estratégia terapêutica.

Mesmo com uma iridotomia eficaz, consultas regulares continuam necessárias. O acompanhamento inclui pressão ocular, avaliação do nervo óptico, campo visual e exames de imagem, conforme cada caso. O glaucoma pode evoluir sem dor e sem sinais perceptíveis nas fases iniciais, razão pela qual a ausência de sintomas não deve levar à interrupção do seguimento.

Riscos e resultados esperados

Como todo procedimento médico, a iridotomia apresenta riscos, embora complicações importantes sejam incomuns quando a indicação e a técnica são adequadas. Pode haver inflamação transitória, pequeno sangramento na íris, elevação temporária da pressão ocular, visão de reflexos luminosos ou halos e necessidade de repetir o tratamento. Raramente, podem ocorrer alterações que exigem acompanhamento mais próximo.

O resultado esperado é a redução do risco de fechamento angular por bloqueio pupilar. Em pacientes selecionados, isso pode evitar uma crise aguda e a perda visual associada a elevações acentuadas de pressão. Porém, o resultado não deve ser medido apenas pela pressão de uma consulta. A proteção do nervo óptico ao longo do tempo depende de monitoramento e de tratamento complementar quando indicado.

A experiência do especialista faz diferença principalmente nos casos em que o paciente já apresenta pressão elevada, lesão glaucomatosa, catarata associada ou anatomia ocular mais complexa. Com 15 anos de atuação e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella avalia de forma individualizada a melhor sequência entre laser, medicamentos e cirurgia para glaucoma ou catarata.

Sintomas que não devem esperar consulta de rotina

A suspeita de crise aguda de fechamento angular é uma urgência oftalmológica. Dor ocular intensa associada a visão embaçada, halos coloridos, olho vermelho, dor de cabeça, náuseas ou vômitos precisa de avaliação imediata. Não espere os sintomas passarem nem use colírios por conta própria.

Já quem tem histórico familiar de glaucoma, recebeu a informação de que possui ângulo estreito ou precisou tratar o outro olho deve manter acompanhamento programado. A identificação precoce permite indicar a iridotomia antes de uma crise, em um cenário mais seguro e controlado.

Preservar a visão exige decisões feitas no momento certo. Se há suspeita de ângulo estreito, glaucoma ou episódios de dor ocular com embaçamento visual, uma avaliação especializada esclarece o risco real e define se a iridotomia a laser é a medida mais adequada para proteger seus olhos.

 
 
 

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