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Cirurgia LASIK versus PRK: qual escolher?

há 5 dias
5 min de leitura

A decisão entre cirurgia LASIK versus PRK não se resume a escolher a técnica com recuperação mais rápida. Ambas podem corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo com excelente previsibilidade, mas atuam de maneiras diferentes na córnea. A espessura e o formato corneano, o grau a ser tratado, a estabilidade da refração, a atividade profissional e as condições da superfície ocular definem qual alternativa oferece maior segurança em cada caso.

Para quem depende de óculos ou lentes de contato todos os dias, a cirurgia refrativa pode representar mais autonomia para dirigir, trabalhar diante de telas, praticar exercícios e realizar atividades cotidianas. Ainda assim, o melhor resultado começa com uma indicação individualizada, baseada em exames detalhados e não somente no desejo de abandonar os óculos.

Cirurgia LASIK versus PRK: a principal diferença

LASIK e PRK são técnicas de cirurgia refrativa a laser. Nas duas, o objetivo é remodelar a córnea para que a luz seja focalizada corretamente na retina, reduzindo ou eliminando a dependência de correção óptica. A diferença está na forma de acessar o tecido corneano que receberá o laser.

No LASIK, o cirurgião cria uma fina lamela na córnea, geralmente com laser de femtossegundo. Essa lamela é elevada, o laser excimer realiza a correção planejada e, ao final, ela é reposicionada. Como a camada superficial é preservada, o desconforto pós-operatório costuma ser menor e a recuperação visual tende a ser mais rápida.

Na PRK, a camada mais superficial da córnea, chamada epitélio, é removida antes da aplicação do laser. Depois do procedimento, uma lente de contato terapêutica protege a superfície ocular enquanto o epitélio se regenera. Isso torna os primeiros dias mais desconfortáveis e a recuperação visual mais gradual, mas permite tratar muitos pacientes cuja córnea não oferece a margem de segurança ideal para a criação da lamela do LASIK.

Quando o LASIK pode ser indicado

O LASIK é frequentemente considerado para pacientes com córneas de espessura adequada, refração estável e exames que não mostram sinais de fragilidade corneana. A melhora da visão pode ser percebida já nas primeiras 24 a 48 horas, embora a estabilização completa varie conforme o grau tratado, a cicatrização e as características do olho.

Em geral, há menos ardor, lacrimejamento e sensibilidade à luz nos primeiros dias em comparação com a PRK. Muitos pacientes retomam tarefas leves, incluindo trabalho administrativo, rapidamente, desde que sigam as recomendações médicas e evitem coçar os olhos ou se expor a ambientes contaminados.

Por outro lado, a presença da lamela exige cuidados específicos. Esportes de contato, lutas, atividades com risco de trauma ocular e determinadas ocupações podem influenciar a escolha. Não significa que o LASIK seja proibido nesses cenários, mas o risco de impacto no olho precisa fazer parte da decisão.

Pontos de atenção no LASIK

Olho seco prévio merece avaliação rigorosa. A técnica pode causar piora temporária da lubrificação ocular, especialmente nos primeiros meses, e pacientes com sintomas relevantes precisam tratar a superfície ocular antes de qualquer cirurgia. Ardor, sensação de areia, visão oscilante e desconforto com lentes de contato são sinais que devem ser relatados durante a consulta.

A topografia e a tomografia de córnea também são decisivas. Elas avaliam curvatura, espessura e regularidade do tecido, ajudando a excluir alterações que aumentariam o risco de instabilidade corneana após a cirurgia. Um exame aparentemente simples de grau não é suficiente para liberar um procedimento refrativo com segurança.

Em quais situações a PRK pode ser a melhor escolha

A PRK é uma alternativa muito valiosa para córneas mais finas, formatos corneanos que exigem maior preservação de tecido ou situações em que a criação de uma lamela não é a opção mais segura. Por não envolver flap, pode ser especialmente considerada para pessoas expostas a maior risco de trauma ocular, como praticantes de esportes de contato e alguns profissionais de atividades operacionais.

A recuperação inicial requer mais paciência. Nos primeiros três a cinco dias, enquanto o epitélio cicatriza, é comum ocorrer dor, fotofobia, lacrimejamento e visão embaçada. Colírios, analgésicos quando necessários e a lente terapêutica fazem parte desse período. A retirada da lente ocorre conforme a cicatrização observada em consulta.

A qualidade visual evolui progressivamente nas semanas seguintes. Em graus mais elevados, a estabilização pode ser mais lenta do que no LASIK. Esse ponto não reduz a eficácia da PRK, mas precisa ser compatível com a rotina e as expectativas do paciente, especialmente quando há necessidade de retorno muito rápido a atividades de alta demanda visual.

A recuperação mais lenta não significa resultado inferior

Quando bem indicada, a PRK pode alcançar resultados visuais comparáveis aos do LASIK. A escolha não deve ser guiada apenas pela velocidade de recuperação, mas pela preservação da estrutura corneana e pelo risco individual. Em cirurgia refrativa, a técnica mais confortável no curto prazo nem sempre é a mais adequada para todos os olhos.

Alguns pacientes também podem precisar de mitomicina C durante a PRK, uma medicação aplicada pelo cirurgião em situações selecionadas para reduzir a chance de opacidade cicatricial da córnea, conhecida como haze. A necessidade depende principalmente do grau de correção e do planejamento cirúrgico.

O que define a técnica mais segura para cada paciente

A avaliação pré-operatória é a etapa mais importante da cirurgia refrativa. Ela confirma se existe indicação, identifica riscos e permite discutir alternativas quando LASIK ou PRK não são os melhores caminhos. Em certos casos, lentes fácicas ou troca do cristalino podem ser opções mais apropriadas, especialmente em pacientes com graus muito altos, córneas inadequadas ou alterações relacionadas à idade.

A investigação costuma incluir medida precisa do grau, paquimetria para avaliar a espessura corneana, topografia e tomografia de córnea, análise da lágrima, pressão ocular, exame de retina e avaliação da pupila. O histórico clínico também importa: doenças autoimunes, diabetes sem controle adequado, ceratocone, gravidez, amamentação e uso de alguns medicamentos podem exigir adiamento ou contraindicar a cirurgia.

A idade merece atenção especial. A partir dos 40 anos, mesmo uma correção refrativa bem-sucedida não impede o surgimento da presbiopia, a dificuldade para leitura de perto. Em pacientes acima dessa faixa etária, é necessário conversar sobre estratégias como monovisão, em que um olho é planejado para longe e o outro para perto, sempre após testes de adaptação. Mais adiante, a catarata também pode modificar a indicação e o planejamento visual.

Resultados esperados e limites realistas

O objetivo da cirurgia é reduzir a dependência de óculos ou lentes de contato com qualidade visual e segurança. Muitos pacientes alcançam visão funcional sem correção para suas atividades principais, mas nenhum cirurgião responsável deve prometer resultado absoluto ou garantir que óculos nunca mais serão necessários.

Pequenos graus residuais podem ocorrer, assim como necessidade de retoque em situações específicas. Halos e reflexos noturnos, oscilações visuais e ressecamento ocular podem aparecer no período de adaptação. A tecnologia atual e o planejamento personalizado reduzem essas possibilidades, mas não eliminam completamente os riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico.

O acompanhamento pós-operatório permite avaliar cicatrização, pressão ocular, superfície da córnea e qualidade visual. O uso correto dos colírios e o comparecimento às revisões têm impacto direto na segurança da recuperação.

Decidir com base em exames, não em preferência

A comparação entre LASIK e PRK deve terminar em uma pergunta mais precisa: qual técnica respeita melhor as características dos seus olhos? Uma avaliação especializada consegue responder com objetividade, explicar o tempo de recuperação esperado e alinhar a cirurgia às necessidades visuais da sua rotina.

Com 15 anos de experiência e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella realiza uma análise criteriosa para indicar a correção refrativa mais segura em cada caso. A melhor escolha é aquela que combina tecnologia, planejamento e preservação da saúde ocular para manter a visão como instrumento de autonomia no longo prazo.

 
 
 

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