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Catarata traumática: sintomas e tratamento

há 15 horas
6 min de leitura

Um golpe no olho durante uma queda, acidente de trânsito, prática esportiva ou atividade de trabalho pode causar mais do que dor e vermelhidão momentâneas. A catarata traumática é a opacificação do cristalino provocada por uma lesão ocular e pode comprometer a visão logo após o trauma ou se desenvolver de forma progressiva ao longo de semanas, meses e, em alguns casos, anos.

Nem todo trauma ocular causa catarata, mas toda alteração visual após uma pancada, perfuração ou contato com objeto em alta velocidade deve ser avaliada com urgência por um oftalmologista. A visão embaçada pode ser apenas uma parte do problema: o mesmo evento pode afetar córnea, íris, retina, nervo óptico e a pressão interna do olho. Identificar essas lesões de forma precisa é o que define a melhor conduta e as possibilidades reais de recuperação visual.

O que é catarata traumática?

O cristalino é uma lente natural transparente localizada dentro do olho. Sua função é ajudar a focalizar as imagens na retina, permitindo enxergar com nitidez. Quando ele perde a transparência, a luz passa de forma irregular e ocorre a catarata.

Na catarata associada ao envelhecimento, esse processo costuma ser lento e bilateral, embora possa evoluir em ritmos diferentes entre os olhos. Na forma traumática, a opacidade surge após uma agressão mecânica, química, térmica ou elétrica ao globo ocular. Ela pode atingir pessoas de qualquer idade, inclusive crianças e adultos jovens.

O aspecto e a velocidade de evolução variam conforme o tipo de lesão. Após um trauma fechado, como uma bolada, um soco ou uma pancada no volante, pode surgir uma opacidade em formato de roseta no cristalino. Já em ferimentos perfurantes, o cristalino pode ser atingido diretamente, levando a uma catarata de evolução rápida e, por vezes, acompanhada de inflamação intensa.

Quais traumas podem levar à catarata?

Os acidentes mais comuns envolvem impacto direto no olho, mas a avaliação não deve se limitar à força aparente da pancada. Um trauma aparentemente leve pode causar lesões internas relevantes, especialmente se houver piora visual, dor persistente ou alteração na pupila.

Entre as situações associadas à catarata traumática estão acidentes domésticos, quedas, colisões, agressões, lesões esportivas e acidentes de trabalho com partículas metálicas, madeira, vidro ou ferramentas. Fogos de artifício, elásticos e objetos lançados em alta velocidade também oferecem risco elevado.

Queimaduras químicas e exposição a eletricidade podem danificar estruturas oculares e alterar o cristalino. Em crianças, qualquer suspeita de trauma merece atenção especial, porque a perda de transparência do cristalino pode prejudicar o desenvolvimento visual se não for tratada no momento adequado.

Sintomas que exigem avaliação oftalmológica rápida

A perda de nitidez é o sintoma mais conhecido, mas não é o único. Algumas pessoas relatam sensação de névoa, dificuldade para ler, piora da visão à noite, halos ao redor das luzes ou aumento da sensibilidade à claridade. Dependendo da lesão, a redução visual pode ser súbita ou discreta no início.

Após um trauma, procure atendimento oftalmológico sem demora diante de dor forte, olho vermelho persistente, lacrimejamento intenso, sensibilidade à luz, visão dupla, flashes luminosos, manchas escuras, sombra no campo visual ou saída de líquido e sangue pelo olho. Náusea e dor de cabeça associadas à dor ocular também podem indicar elevação da pressão intraocular.

Não esfregue o olho, não tente retirar objetos presos e não utilize colírios por conta própria. Em caso de objeto perfurante ou suspeita de ferimento aberto, evite fazer pressão sobre o olho. A proteção cuidadosa da região e o encaminhamento imediato são medidas mais seguras do que qualquer tentativa caseira de alívio.

Como é feito o diagnóstico da catarata traumática?

A consulta começa pela compreensão do mecanismo do acidente: quando ocorreu, qual objeto esteve envolvido, se houve uso de proteção ocular e como a visão se comportou desde então. Essas informações ajudam a estimar os riscos e direcionam o exame.

O oftalmologista avalia a acuidade visual, as pupilas, a córnea, a câmara anterior, o cristalino e a pressão ocular. O exame com lâmpada de fenda permite identificar opacidades do cristalino, inflamação, sangramento e sinais de perfuração. Quando a catarata impede a visualização adequada do fundo do olho, a ultrassonografia ocular pode ser necessária para analisar retina e vítreo.

Também podem ser indicados exames de retina, tomografia de coerência óptica e biometria ocular. Esta última é particularmente relevante quando existe indicação cirúrgica, pois contribui para o planejamento da lente intraocular. Entretanto, em traumas complexos, a prioridade inicial pode ser estabilizar o olho e tratar lesões associadas antes de definir todos os detalhes da reabilitação visual.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia de catarata é indicada quando a opacidade do cristalino reduz a visão de forma significativa, impede o acompanhamento da retina ou participa de complicações como inflamação persistente e aumento da pressão ocular. A decisão não depende apenas do grau de catarata: ela considera a integridade das demais estruturas e as necessidades visuais de cada paciente.

Em alguns casos, é possível observar a evolução por um período, especialmente quando a opacidade é pequena, a visão está preservada e não há inflamação ou glaucoma. Em outros, a cirurgia deve ser realizada com maior rapidez, como em cataratas extensas após perfuração ocular ou quando fragmentos do cristalino provocam reação inflamatória importante.

O procedimento consiste na remoção do cristalino opaco, geralmente por facoemulsificação, técnica que utiliza ultrassom para fragmentar e aspirar a catarata por uma pequena incisão. Quando as condições do olho permitem, é implantada uma lente intraocular para substituir o poder de foco do cristalino natural.

A presença de trauma pode tornar a cirurgia mais desafiadora. A cápsula que envolve o cristalino e as estruturas que o sustentam podem estar fragilizadas, deslocadas ou rompidas. Pode haver pupila irregular, cicatriz na córnea, lesão de íris, glaucoma traumático ou alterações vítreorretinianas. Por isso, a estratégia cirúrgica deve ser individualizada e, em casos selecionados, pode envolver mais de um procedimento ou o trabalho conjunto com especialista em retina.

A lente intraocular sempre pode ser implantada?

Não necessariamente. Em muitas situações, a lente intraocular é colocada durante a mesma cirurgia da catarata, com boa estabilidade e resultado visual. Porém, quando há inflamação importante, perda extensa de suporte do cristalino, lesão ocular aberta ou necessidade de tratar outras estruturas, pode ser mais seguro postergar esse implante.

Essa decisão não representa falta de tratamento. Ela pode ser a escolha mais adequada para preservar a segurança do olho e reduzir riscos. Posteriormente, após a recuperação e a estabilização dos tecidos, o oftalmologista avalia alternativas para reabilitação visual, incluindo implante secundário de lente intraocular em posição apropriada.

Também é preciso alinhar expectativas. Remover a catarata melhora a passagem de luz, mas não corrige danos preexistentes ou simultâneos na retina, no nervo óptico e na córnea. A qualidade visual final depende do conjunto das estruturas oculares, não apenas do sucesso técnico da retirada do cristalino.

Recuperação e cuidados após o procedimento

O tempo de recuperação varia conforme a gravidade do trauma e a complexidade da cirurgia. Em casos sem lesões adicionais relevantes, é comum notar melhora progressiva da visão nas primeiras semanas. Quando há cirurgia combinada, inflamação mais intensa ou alterações na retina, a recuperação pode ser mais lenta e exigir acompanhamento próximo.

Os colírios prescritos controlam inflamação e reduzem o risco de infecção. É necessário comparecer às revisões, evitar esforço físico nas primeiras orientações médicas, não coçar os olhos e utilizar proteção ocular quando recomendada. Se houver dor crescente, piora súbita da visão, secreção ou vermelhidão intensa, a equipe deve ser avisada imediatamente.

O acompanhamento após trauma ocular também inclui a vigilância da pressão intraocular. O glaucoma traumático pode aparecer logo após o acidente ou anos depois, especialmente quando houve lesão do ângulo de drenagem do olho. Mesmo que a visão se recupere bem após a cirurgia, consultas periódicas permanecem essenciais.

Avaliação especializada faz diferença em casos complexos

A catarata traumática exige uma análise que vá além da lente opaca. O objetivo é identificar todas as lesões provocadas pelo acidente, proteger as estruturas preservadas e definir o momento mais seguro para cada intervenção. Essa precisão é decisiva para reduzir complicações e buscar a melhor recuperação visual possível.

Com 15 anos de experiência, doutorado em Oftalmologia pela UNICAMP e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella realiza avaliação especializada de catarata e casos cirúrgicos complexos em Campinas e Paulínia. Após qualquer trauma ocular com alteração visual, uma consulta precoce permite esclarecer o diagnóstico e estabelecer uma conduta segura para preservar a visão e a autonomia no dia a dia.

 
 
 

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