
Quando fazer cirurgia de catarata com segurança
- há 1 dia
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A perda de nitidez ao ler, dirigir à noite ou reconhecer rostos nem sempre melhora com a troca dos óculos. Quando a catarata passa a interferir nessas atividades, a cirurgia de catarata pode ser a medida mais efetiva para restaurar a qualidade visual e a autonomia. A indicação, porém, não depende apenas do exame: ela considera o impacto real da visão na rotina, as condições do olho e as expectativas de cada paciente.
A catarata é a opacificação progressiva do cristalino, a lente natural localizada dentro do olho. Com o envelhecimento, essa lente perde transparência e deixa a passagem da luz menos eficiente. O resultado costuma ser uma visão embaçada, com menos contraste, maior sensibilidade à luminosidade e percepção de cores mais amareladas ou apagadas.
Quando a cirurgia de catarata é indicada
Não é necessário esperar a catarata “amadurecer” para operar. Esse é um conceito antigo que pode levar o paciente a conviver por tempo demais com limitações evitáveis. Hoje, a decisão é feita de forma individualizada, avaliando o quanto a alteração compromete atividades como trabalhar, cozinhar, ler, usar o celular, caminhar com segurança ou dirigir.
A cirurgia também pode ser recomendada quando a catarata dificulta o acompanhamento ou o tratamento de outra doença ocular, principalmente o glaucoma e alterações da retina. Em alguns casos, remover o cristalino pode colaborar para ampliar o espaço interno do olho e auxiliar no controle da pressão ocular, desde que essa estratégia seja adequada à condição clínica do paciente.
Alguns sinais merecem avaliação oftalmológica sem adiar a consulta: embaçamento progressivo, necessidade frequente de mudar o grau dos óculos, halos ao redor das luzes, piora da visão noturna, dificuldade para identificar degraus e redução do contraste. Esses sintomas não confirmam catarata por si só, mas são compatíveis com a doença e precisam de exame completo.
Como é feita a cirurgia de catarata
O tratamento cirúrgico mais utilizado é a facoemulsificação. Por meio de uma pequena incisão, o oftalmologista fragmenta e aspira o cristalino opaco com energia ultrassônica. Em seguida, implanta uma lente intraocular, que substitui a função óptica do cristalino removido.
Em geral, o procedimento é realizado com anestesia local por colírios, associado a sedação para proporcionar conforto. A cirurgia costuma ser rápida, mas o tempo total no centro cirúrgico inclui preparo, monitorização e período inicial de recuperação. Cada etapa segue protocolos de segurança definidos pela equipe médica e pela estrutura hospitalar.
A incisão é pequena e, na maior parte dos casos, não exige pontos. Ainda assim, simplicidade técnica não significa que a cirurgia seja igual para todos. Olhos com glaucoma, córnea alterada, pupila pequena, retina comprometida, cirurgias prévias ou cataratas muito densas demandam planejamento específico e podem ter riscos e condutas diferentes.
A escolha da lente intraocular faz diferença
A lente intraocular é definida antes da cirurgia a partir de medidas detalhadas do olho, do estilo de vida e dos objetivos visuais. Ela não deve ser escolhida apenas pelo desejo de abandonar os óculos. Para alguns pacientes, a melhor estratégia é priorizar visão de longe com alta qualidade e manter óculos para leitura. Para outros, lentes com faixas de foco ampliadas podem reduzir a dependência dos óculos em mais atividades.
As lentes monofocais corrigem um foco principal, geralmente para longe. As tóricas são indicadas quando existe astigmatismo corneano relevante e podem aprimorar a qualidade visual sem a necessidade de uma incisão adicional para esse fim. Já as lentes de foco estendido e multifocais buscam ampliar a independência dos óculos, mas exigem análise criteriosa.
Nem toda lente é apropriada para todo olho. Pacientes com glaucoma avançado, doenças da mácula, irregularidades corneanas ou olho seco importante podem não obter o mesmo benefício com lentes multifocais e, em algumas situações, podem perceber mais halos ou redução de contraste. Uma recomendação responsável equilibra desejo de independência dos óculos, qualidade de visão e saúde ocular.
Os exames antes da cirurgia de catarata
A avaliação pré-operatória vai além de confirmar a presença da catarata. O exame da córnea, da retina, do nervo óptico, da pressão ocular e da superfície do olho ajuda a identificar fatores que podem afetar o resultado visual ou exigir tratamento prévio.
A biometria ocular calcula o grau da lente intraocular com base em medidas como comprimento do olho e curvatura da córnea. Exames complementares, como tomografia de coerência óptica da mácula e avaliação do endotélio corneano, podem ser necessários conforme cada caso. Também é essencial revisar o uso de colírios, medicamentos sistêmicos e doenças como diabetes, hipertensão e glaucoma.
Para pacientes da região de Campinas e Paulínia, a consulta especializada permite esclarecer se a queixa visual decorre apenas da catarata ou se há outras alterações associadas. Essa distinção evita expectativas irreais: a cirurgia remove a opacidade do cristalino, mas não trata diretamente danos já instalados no nervo óptico ou na retina.
Recuperação: o que esperar nos primeiros dias
Muitos pacientes percebem melhora visual logo nas primeiras 24 a 72 horas, embora a estabilização possa levar algumas semanas. A velocidade da recuperação depende da densidade da catarata, da saúde da córnea, da retina e da presença de doenças oculares associadas.
Após a cirurgia, é comum haver leve sensação de areia, lacrimejamento, maior sensibilidade à luz e visão inicialmente variável. Dor intensa, queda repentina da visão, vermelhidão importante, secreção ou flashes luminosos não devem ser considerados normais e exigem contato imediato com a equipe responsável.
O uso correto dos colírios prescritos é parte central da recuperação. Também é necessário evitar coçar ou apertar o olho, exposição a água contaminada, piscina no período indicado e esforço físico conforme a orientação médica. As revisões pós-operatórias acompanham a cicatrização, a pressão ocular e a resposta visual.
A atualização dos óculos, quando necessária, costuma ser discutida depois da estabilização refracional. Mesmo quem escolhe uma lente capaz de reduzir a dependência dos óculos pode precisar deles em determinadas situações, como leitura prolongada, baixa iluminação ou atividades que exigem precisão.
Riscos existem, mas o planejamento reduz incertezas
A cirurgia de catarata é um procedimento frequente e com alta taxa de sucesso quando bem indicada e executada. Ainda assim, toda cirurgia intraocular apresenta riscos, entre eles inflamação, aumento da pressão ocular, edema da córnea, infecção, alterações na retina e necessidade de intervenções adicionais. A probabilidade e o impacto dessas complicações variam conforme as características do olho e a condição de saúde do paciente.
Pacientes com glaucoma merecem atenção adicional, pois a pressão ocular pode oscilar no pós-operatório e o nervo óptico já apresenta maior vulnerabilidade. Em determinadas situações, pode ser indicada uma cirurgia combinada de catarata e glaucoma ou uma abordagem em etapas. A melhor conduta não é padronizada: ela deve preservar a visão com o menor risco possível para aquele caso.
Com mais de 15 anos de experiência e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella atua com foco no planejamento de casos de catarata, inclusive quando há associação com glaucoma e outras condições oculares. A decisão cirúrgica deve partir de uma avaliação completa, com explicações objetivas sobre benefícios, limites e cuidados necessários.
Se a visão embaçada já está impondo restrições à sua rotina, não é preciso aceitar essa perda de autonomia como parte inevitável da idade. Uma consulta oftalmológica bem conduzida pode definir o momento adequado para tratar a catarata e estabelecer um plano seguro para voltar a enxergar as atividades que fazem diferença no seu dia.



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