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Pressão ocular alta: sintomas e sinais de alerta

2 de set.
5 min de leitura

A pressão ocular alta sintomas é uma busca comum, mas existe um ponto que merece atenção imediata: na maioria dos casos, a elevação da pressão dentro do olho não causa dor, vermelhidão nem perda visual perceptível no começo. Esse é um dos motivos pelos quais o glaucoma pode avançar silenciosamente e comprometer o nervo óptico de forma irreversível.

A pressão intraocular é medida em consulta oftalmológica com aparelhos específicos. Quando está elevada, ela pode aumentar o risco de dano ao nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais ao cérebro. Porém, pressão alta não significa, por si só, que a pessoa tenha glaucoma, assim como uma pressão dentro da faixa habitual não exclui a doença. O diagnóstico depende de uma avaliação completa.

Pressão ocular alta: sintomas podem não aparecer

Em grande parte dos pacientes, a pressão ocular elevada ocorre sem sintomas. A pessoa continua lendo, dirigindo e realizando suas atividades normalmente, enquanto alterações periféricas no campo visual podem passar despercebidas. O cérebro se adapta bem à perda lenta de visão, especialmente quando o outro olho compensa parte da limitação.

Por isso, esperar a visão embaçar ou sentir dor para procurar atendimento pode atrasar o diagnóstico. O glaucoma crônico de ângulo aberto, forma mais frequente da doença, costuma ter evolução gradual. Quando o paciente percebe dificuldade para enxergar nas laterais, tropeços, insegurança para dirigir à noite ou redução importante do campo visual, pode já haver dano estabelecido.

A consulta regular é particularmente indicada para pessoas acima dos 40 anos, quem tem parentes com glaucoma, diabetes, miopia elevada, uso prolongado de corticoides ou histórico de trauma ocular. Pacientes negros e asiáticos também podem ter riscos específicos, que devem ser considerados pelo oftalmologista durante a avaliação.

Quando a pressão alta no olho causa sintomas intensos

Há uma situação diferente, menos comum e potencialmente urgente: a crise aguda de fechamento angular. Nela, a drenagem do líquido interno do olho é bloqueada de maneira súbita, levando a uma elevação rápida e importante da pressão ocular.

Os sinais geralmente são evidentes. Pode haver dor ocular intensa, olho vermelho, visão embaçada, halos coloridos ao redor das luzes, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Algumas pessoas associam esses sintomas a enxaqueca, indisposição gastrointestinal ou cansaço, mas a presença de dor ocular e alteração visual exige avaliação oftalmológica imediata.

Esse quadro é uma urgência. O tratamento busca reduzir a pressão e prevenir novas crises, podendo incluir medicamentos, colírios, laser ou cirurgia, conforme a anatomia ocular e a gravidade do caso. A iridotomia a laser, por exemplo, pode criar uma pequena abertura na íris para melhorar a circulação do líquido dentro do olho em pacientes selecionados.

Nem toda pressão ocular alta é glaucoma

A hipertensão ocular ocorre quando a pressão intraocular está acima do esperado, mas ainda não há sinais detectáveis de lesão no nervo óptico ou perda de campo visual relacionada ao glaucoma. Parte dessas pessoas nunca desenvolverá glaucoma. Outras, porém, têm risco maior e precisam de acompanhamento ou tratamento preventivo.

A decisão não deve se basear apenas em um número isolado da tonometria. A espessura da córnea pode influenciar a medida da pressão, e características do disco óptico, do campo visual, da drenagem ocular e do histórico familiar mudam a interpretação do risco. Uma córnea mais fina, por exemplo, pode estar associada a maior vulnerabilidade em determinados contextos clínicos.

Na prática, o oftalmologista avalia o conjunto. O objetivo é identificar quem pode ser acompanhado com segurança e quem precisa reduzir a pressão antes que ocorra uma lesão permanente. Tratar todos os pacientes com pressão elevada da mesma forma não é a conduta mais precisa.

Quais exames confirmam o risco para glaucoma?

A investigação costuma começar com a medida da pressão ocular, mas vai além dela. O exame do fundo de olho permite avaliar a aparência do nervo óptico. A gonioscopia analisa o ângulo de drenagem do olho, ajudando a diferenciar mecanismos de glaucoma e a identificar risco de fechamento angular.

A tomografia de coerência óptica, conhecida como OCT, mede camadas de fibras nervosas e pode revelar alterações estruturais precoces. Já a campimetria computadorizada avalia o campo visual e identifica perdas funcionais que o paciente ainda não consegue perceber no dia a dia.

Em alguns casos, são necessárias fotografias do nervo óptico, paquimetria para medir a espessura corneana e avaliações repetidas ao longo do tempo. O glaucoma é uma doença em que a comparação seriada dos exames tem grande valor. Uma única consulta pode apontar suspeitas, mas o acompanhamento mostra se há estabilidade ou progressão.

Sintomas que não devem ser ignorados

Embora o glaucoma crônico possa ser silencioso, alguns sintomas justificam agendamento de avaliação sem demora. Visão embaçada persistente, piora progressiva da visão lateral, halos ao redor das luzes, dor ou peso nos olhos, vermelhidão acompanhada de alteração visual e dificuldade incomum para se adaptar ao escuro merecem investigação.

Também é recomendado procurar atendimento quando há mudança visual após iniciar corticoides, seja em colírios, comprimidos, injeções, cremes aplicados perto dos olhos ou sprays nasais. Pessoas suscetíveis podem apresentar elevação da pressão ocular com esse tipo de medicamento. A orientação é não interromper um tratamento prescrito por conta própria, mas informar o médico que acompanha o caso e realizar avaliação oftalmológica.

A perda visual súbita, dor forte, náuseas e olho vermelho não devem aguardar uma consulta de rotina. Esses sinais podem estar relacionados a uma crise de pressão ocular alta ou a outras doenças oculares que também necessitam de atendimento urgente.

Como é feito o controle da pressão ocular

Quando há indicação de tratamento, o objetivo é alcançar uma pressão-alvo capaz de proteger o nervo óptico. Essa meta é individual e considera o estágio da doença, a pressão inicial, a velocidade de progressão, a idade e as condições clínicas de cada paciente.

Os colírios são frequentemente a primeira opção. Eles podem diminuir a produção do líquido interno do olho ou facilitar a sua drenagem. Para funcionarem, precisam ser usados na frequência correta e de maneira contínua. Esquecimentos frequentes, dificuldade para pingar o colírio, ardor intenso ou efeitos sistêmicos devem ser relatados ao oftalmologista, pois há alternativas terapêuticas e ajustes possíveis.

Em situações selecionadas, a trabeculoplastia seletiva a laser, ou SLT, melhora a drenagem pelo trabeculado e pode reduzir a necessidade de colírios ou complementar seu efeito. O resultado varia entre os pacientes e pode diminuir com o tempo, mas o procedimento é uma opção importante no controle de determinados tipos de glaucoma.

Quando colírios e laser não atingem a pressão-alvo, ou quando o glaucoma já apresenta maior gravidade, a cirurgia pode ser indicada. Há técnicas para aumentar a drenagem do olho e procedimentos combinados com a cirurgia de catarata, conforme a necessidade. A escolha depende da anatomia ocular, do tipo de glaucoma, do estágio do dano e das expectativas de recuperação.

Acompanhar é tão decisivo quanto tratar

Uma pressão bem controlada em uma consulta não garante que o glaucoma esteja estável. A doença pode variar ao longo do dia, e o nervo óptico precisa ser acompanhado por exames periódicos. Da mesma forma, não é seguro suspender o colírio porque a visão parece boa ou porque a pressão apresentou melhora em uma medição.

Para pacientes que vivem em Campinas, Paulínia e região, a avaliação especializada permite definir um plano de acompanhamento compatível com o risco individual. O Dr. Kleyton Barella, doutor em Oftalmologia pela UNICAMP e com mais de 15 mil procedimentos realizados, atua no diagnóstico e no tratamento clínico, a laser e cirúrgico de glaucoma, incluindo casos complexos e combinados.

A preservação da visão depende de identificar o risco antes que ele se transforme em limitação. Se existe histórico familiar de glaucoma, uso contínuo de corticoide, pressão ocular elevada em exame anterior ou qualquer alteração visual recente, uma consulta completa é o passo mais seguro para decidir o que fazer e proteger a sua autonomia.

 
 
 

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