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Guia para glaucoma secundário e seu tratamento

Guia para glaucoma secundário e seu tratamento

15 de out.
5 min de leitura

A expressão Guia para glaucoma secundário resume uma situação que exige atenção individualizada: a pressão do olho sobe como consequência de outra doença, trauma, medicamento ou alteração ocular. Diferentemente de algumas formas mais comuns de glaucoma, aqui não basta tratar o número da pressão intraocular. É preciso identificar o mecanismo que está causando o problema e agir antes que o dano ao nervo óptico se torne irreversível.

O glaucoma secundário pode evoluir rapidamente ou de modo silencioso, dependendo de sua causa. Por isso, pessoas que tiveram trauma ocular, inflamação nos olhos, cirurgia prévia, uso prolongado de corticoides ou doenças da retina precisam de acompanhamento oftalmológico criterioso, mesmo quando ainda enxergam bem.

O que caracteriza o glaucoma secundário

Glaucoma é o nome dado a um grupo de doenças que danificam o nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais do olho ao cérebro. Na maioria dos casos, esse dano está associado à pressão intraocular elevada. No glaucoma secundário, há uma causa identificável para essa elevação ou para a lesão do nervo óptico.

A drenagem interna do olho ocorre principalmente por uma região chamada ângulo da câmara anterior. Quando esse sistema é bloqueado por pigmentos, células inflamatórias, sangue, alterações do cristalino ou novos vasos anormais, o líquido interno não escoa como deveria. A pressão pode subir e comprometer progressivamente o campo visual.

O ponto decisivo é que as causas não se comportam da mesma forma. Um glaucoma relacionado ao uso de corticoide pede uma conduta diferente daquele provocado por uveíte, trauma ou diabetes avançado. Tratar todos da mesma maneira pode atrasar o controle adequado.

Principais causas do glaucoma secundário

Há várias condições capazes de desencadear esse tipo de glaucoma. Algumas são mais frequentes em adultos e idosos, enquanto outras aparecem após acidentes, inflamações ou procedimentos oculares.

O uso de corticoides é uma causa relevante. Colírios, comprimidos, injeções, cremes aplicados perto dos olhos e até medicamentos inaláveis podem elevar a pressão ocular em pessoas predispostas. Isso não significa que o corticoide deva ser interrompido por conta própria, mas sim que seu uso precisa ser acompanhado, especialmente se for prolongado.

A uveíte, que é uma inflamação dentro do olho, também pode aumentar a pressão. A própria inflamação e alguns tratamentos utilizados para controlá-la podem interferir na drenagem do líquido ocular. Em certos momentos a pressão fica alta; em outros, pode cair. Essa oscilação exige avaliação frequente.

Traumas oculares, inclusive acidentes ocorridos anos antes, podem lesar as estruturas responsáveis pela drenagem. Pancadas durante atividades esportivas, quedas, acidentes de trabalho ou agressões merecem atenção, mesmo quando não provocam perda visual imediata.

Outras causas incluem glaucoma por pseudoesfoliação, dispersão pigmentar, alterações do cristalino associadas à catarata avançada, sangramento dentro do olho e glaucoma neovascular. Este último ocorre quando vasos anormais crescem na íris e no ângulo do olho, geralmente em consequência de diabetes com comprometimento da retina ou obstruções vasculares retinianas. É uma forma potencialmente agressiva e precisa de tratamento rápido.

Sintomas: quando procurar avaliação sem esperar

O glaucoma secundário pode não causar sintomas no início. A visão central costuma permanecer preservada por um período, enquanto a perda do campo visual acontece nas regiões periféricas. Por esse motivo, esperar a visão embaçar para marcar uma consulta pode significar perder uma oportunidade valiosa de preservação visual.

Em algumas situações, porém, a elevação da pressão é aguda. Dor ocular intensa, olho vermelho, dor de cabeça, halos coloridos ao redor das luzes, náuseas, vômitos e visão turva são sinais que exigem atendimento oftalmológico imediato. Não é adequado tentar resolver o quadro apenas com colírios antigos ou analgésicos.

Também merecem investigação a piora visual após trauma, o aparecimento de dor em um olho já operado, episódios de vermelhidão associados à baixa de visão e mudanças visuais em pessoas com diabetes ou histórico de inflamação ocular. Cada detalhe da história clínica ajuda a definir a origem da pressão elevada.

Guia para glaucoma secundário: como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com uma consulta completa, incluindo histórico de doenças, medicamentos em uso, cirurgias e traumas anteriores. Informar todos os remédios, inclusive sprays, pomadas e colírios prescritos por outras especialidades, é fundamental para uma decisão segura.

A medida da pressão intraocular é indispensável, mas ela não determina sozinha a gravidade do glaucoma. Algumas pessoas apresentam dano no nervo óptico com pressões consideradas dentro da média, enquanto outras toleram valores maiores. O médico avalia o conjunto dos achados.

O exame do fundo de olho permite observar o nervo óptico e a retina. A gonioscopia examina o ângulo de drenagem, ajudando a identificar se há fechamento do ângulo, pigmentos, inflamação, vasos anormais ou sinais de trauma. A paquimetria mede a espessura da córnea, que pode influenciar a interpretação da pressão ocular.

Exames como tomografia de coerência óptica, conhecida como OCT, e campimetria computadorizada complementam a investigação. Eles mostram, respectivamente, alterações estruturais do nervo óptico e perdas no campo visual. Em casos específicos, exames da retina também são necessários para tratar doenças associadas, como retinopatia diabética e tromboses vasculares.

O acompanhamento não termina após uma medida de pressão adequada. O objetivo é preservar a função visual ao longo do tempo. Isso depende de comparar exames, observar a estabilidade do campo visual e ajustar a estratégia quando houver sinais de progressão.

Tratamento: controlar a pressão e a causa

O tratamento do glaucoma secundário combina, quando possível, o controle da causa e a redução da pressão intraocular. Colírios podem ser indicados para diminuir a produção do líquido intraocular ou melhorar sua saída. A escolha depende do tipo de glaucoma, do estado da córnea, da presença de inflamação e das condições clínicas do paciente.

Em casos relacionados a corticoide, o médico pode discutir a redução, troca ou suspensão gradual do medicamento junto ao profissional que o prescreveu. Quando há uveíte, controlar a inflamação é parte central do tratamento, mesmo que isso envolva usar medicamentos que demandem vigilância da pressão ocular.

Alguns pacientes podem se beneficiar de procedimentos a laser. A iridotomia a laser cria uma pequena passagem na íris em situações específicas de ângulo estreito ou bloqueio pupilar. A trabeculoplastia seletiva a laser, ou SLT, pode ser considerada em determinados glaucomas de ângulo aberto, mas sua indicação não é automática: inflamação ativa, vasos anormais e alterações importantes no ângulo podem exigir outra abordagem.

Quando colírios e laser não atingem a pressão-alvo, a cirurgia pode ser necessária. As opções incluem cirurgias filtrantes, implantes de drenagem e procedimentos combinados com a cirurgia de catarata. A melhor técnica depende do mecanismo do glaucoma, da gravidade do dano, da anatomia ocular, de cirurgias anteriores e da necessidade de tratar a catarata no mesmo momento.

Em glaucomas neovasculares, por exemplo, pode ser necessário associar o tratamento da pressão a intervenções para controlar a doença da retina. Em glaucomas relacionados ao cristalino, a cirurgia de catarata pode contribuir de forma importante para resolver o mecanismo de bloqueio. São cenários em que uma conduta personalizada faz diferença.

Adesão ao tratamento protege o resultado

O colírio só funciona quando é aplicado corretamente e com regularidade. Falhas ocasionais acontecem, mas esquecimentos frequentes deixam a pressão oscilar e aumentam o risco de progressão. Se houver ardor, vermelhidão, dificuldade para pingar ou custo elevado, a solução é conversar durante a consulta, não abandonar o tratamento.

Também não se deve compartilhar colírios, reutilizar frascos antigos ou substituir medicamentos por conta própria. Formulações diferentes podem ter efeitos distintos sobre a pressão e sobre doenças associadas. Após instilar o colírio, fechar os olhos suavemente por cerca de um minuto pode reduzir o escoamento para o nariz e a absorção sistêmica.

A experiência em casos cirúrgicos de glaucoma é particularmente relevante quando há inflamação, catarata, trauma ou cirurgias prévias. Com 15 anos de atuação, doutorado em Oftalmologia pela UNICAMP e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella realiza uma avaliação direcionada para definir o momento e a técnica mais adequados a cada caso.

Preservar a visão no glaucoma secundário começa com um diagnóstico preciso e continua em cada retorno, exame e ajuste de tratamento. Diante de sintomas, fatores de risco ou alteração de pressão ocular, uma avaliação especializada oferece o caminho mais seguro para proteger a autonomia visual.

 
 
 

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