top of page
Glaucoma Minimamente Invasivo Vale a Pena?

Glaucoma Minimamente Invasivo Vale a Pena?

25 de set.
5 min de leitura

Quando os colírios já não mantêm a pressão ocular na meta ou causam efeitos incômodos na rotina, a cirurgia pode ser necessária para proteger o nervo óptico. O glaucoma minimamente invasivo reúne técnicas cirúrgicas desenvolvidas para reduzir a pressão dentro do olho com incisões pequenas, menor agressão aos tecidos e recuperação geralmente mais confortável do que em cirurgias tradicionais.

O objetivo não é recuperar a visão já perdida pelo glaucoma. As fibras do nervo óptico danificadas não se regeneram. O tratamento busca interromper ou retardar a progressão da doença, preservando o campo visual que ainda existe. Por isso, a indicação cirúrgica deve ser individualizada, com base no tipo e no estágio do glaucoma, na pressão-alvo e na resposta aos tratamentos anteriores.

O que é glaucoma minimamente invasivo?

As técnicas de glaucoma minimamente invasivo, frequentemente chamadas pela sigla MIGS, atuam principalmente nas vias naturais de drenagem do humor aquoso, o líquido produzido continuamente dentro do olho. No glaucoma, a dificuldade de escoamento desse líquido eleva a pressão intraocular e pode lesar o nervo óptico de forma silenciosa e irreversível.

Em vez de criar uma nova rota de drenagem sob a conjuntiva, como ocorre em algumas cirurgias convencionais, muitas técnicas minimamente invasivas melhoram a saída do líquido pelo chamado ângulo camerular. Para isso, o cirurgião utiliza dispositivos ou instrumentos delicados, introduzidos por microincisões na córnea.

Em grande parte dos casos, o procedimento é realizado junto da cirurgia de catarata. Essa combinação faz sentido porque a catarata e o glaucoma são mais frequentes com o avanço da idade, e a troca do cristalino por uma lente intraocular também pode contribuir para ampliar o espaço interno do olho e reduzir a pressão em determinados pacientes.

Para quem esse tipo de cirurgia é indicado?

A indicação mais comum é para pessoas com glaucoma de ângulo aberto leve ou moderado que precisam reduzir a pressão intraocular e, ao mesmo tempo, diminuir a dependência de colírios. Também pode ser uma opção para pacientes com catarata e pressão ocular acima da meta, mesmo com uso regular de medicação.

A redução ou suspensão dos colírios é uma possibilidade, não uma garantia. Alguns pacientes continuam precisando de tratamento medicamentoso após a cirurgia, porém com menos frascos, menor frequência de aplicações ou melhor controle da pressão. O resultado depende da condição do sistema de drenagem, da pressão inicial, da meta estabelecida e da evolução do nervo óptico.

Há situações em que uma cirurgia minimamente invasiva não oferece redução suficiente. Em glaucomas avançados, com pressão muito elevada ou progressão documentada apesar do tratamento, procedimentos mais potentes, como a trabeculectomia ou dispositivos de drenagem, podem ser mais adequados. Uma técnica menos invasiva não é automaticamente a melhor escolha se ela não for capaz de atingir a pressão necessária para preservar a visão.

Avaliação antes da indicação

A decisão não deve se basear somente em uma medida isolada de pressão ocular. A consulta inclui avaliação do nervo óptico, exame do campo visual, tomografia de coerência óptica, gonioscopia para analisar o ângulo de drenagem e estudo do histórico de progressão da doença.

Também é essencial entender como o paciente utiliza os colírios. Ardor, alergia, dificuldade para instilar as gotas, esquecimento frequente e custo contínuo podem comprometer a eficácia do tratamento clínico. Esses fatores têm peso real na decisão, mas não substituem os critérios de segurança e controle da doença.

Como a cirurgia é realizada?

O procedimento costuma ser feito em ambiente cirúrgico oftalmológico, com anestesia local e sedação conforme a necessidade. A duração varia de acordo com a técnica empregada e com a realização associada da cirurgia de catarata, mas geralmente é mais breve do que intervenções convencionais para glaucoma.

Por meio de uma microincisão, o cirurgião acessa a região de drenagem do olho com visualização ampliada. Dependendo do caso, pode implantar um microdispositivo, remover parte da barreira de drenagem ou realizar uma abordagem para ampliar e restaurar o fluxo do humor aquoso. A técnica é definida de acordo com a anatomia ocular e o objetivo de redução da pressão.

Ao término, o paciente recebe orientações sobre os colírios do pós-operatório, proteção ocular e retorno para acompanhamento. A visão pode ficar embaçada nos primeiros dias, especialmente quando a cirurgia é combinada com a remoção da catarata. A recuperação visual varia entre pessoas e deve ser acompanhada de perto.

Benefícios e limites das técnicas minimamente invasivas

Entre os benefícios mais relevantes estão a menor manipulação dos tecidos oculares, a recuperação habitualmente mais rápida e um perfil de segurança favorável em pacientes bem selecionados. Quando associada à cirurgia de catarata, a técnica permite tratar duas condições no mesmo ato cirúrgico, evitando uma segunda intervenção.

Outro ganho possível é reduzir a carga diária de medicamentos. Para quem utiliza vários colírios, isso pode significar mais conforto, menos irritação na superfície ocular e maior aderência ao plano de tratamento. Ainda assim, o sucesso não deve ser avaliado apenas pela retirada dos colírios. O principal parâmetro é manter a pressão na faixa segura para aquele nervo óptico.

O limite mais importante é a capacidade de redução pressórica. Em geral, as técnicas minimamente invasivas tendem a produzir uma queda mais moderada da pressão quando comparadas a cirurgias filtrantes tradicionais. Isso é positivo para muitos casos, mas pode ser insuficiente para olhos que exigem metas muito baixas. A escolha deve priorizar a proteção visual a longo prazo, não somente uma recuperação mais simples.

Riscos e cuidados após a cirurgia

Toda cirurgia ocular apresenta riscos, embora complicações graves sejam incomuns quando há indicação adequada e acompanhamento correto. Pode ocorrer elevação transitória da pressão, sangramento discreto dentro do olho, inflamação, necessidade de ajuste dos colírios ou efeito menor do que o esperado ao longo do tempo.

No pós-operatório, não se deve esfregar os olhos, carregar peso ou retomar atividades físicas intensas sem liberação médica. Os retornos são parte decisiva do tratamento: é neles que se mede a pressão, verifica-se a cicatrização e ajustam-se os medicamentos. Mesmo após uma boa evolução cirúrgica, o glaucoma exige seguimento permanente.

Dor forte, piora súbita da visão, vermelhidão intensa, secreção ou náuseas associadas a dor ocular precisam de avaliação imediata. Esperar a próxima consulta diante desses sinais pode colocar a visão em risco.

Cirurgia não substitui o acompanhamento do glaucoma

O glaucoma pode progredir sem sintomas perceptíveis. Uma pressão considerada boa em determinado momento pode deixar de ser suficiente se houver alteração no campo visual ou na tomografia do nervo óptico. Por essa razão, o acompanhamento continua necessário, inclusive para pacientes operados e sem uso de colírios.

A análise especializada permite definir se o momento é de manter o tratamento clínico, indicar laser, como a trabeculoplastia seletiva a laser, ou avançar para uma cirurgia. Em Campinas e Paulínia, o Dr. Kleyton Barella atua no diagnóstico e no tratamento cirúrgico do glaucoma, com experiência em casos complexos e combinados.

Se o uso diário de colírios se tornou difícil, se a pressão não está na meta ou se há progressão nos exames, uma avaliação completa pode esclarecer qual estratégia oferece a melhor proteção para a sua visão. O tratamento certo é aquele que controla a doença com segurança e se encaixa nas necessidades reais de cada olho.

 
 
 

Comentários


bottom of page