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Como funciona a facoemulsificação na catarata

11 de set.
5 min de leitura

A catarata costuma avançar de forma gradual: as cores perdem intensidade, a leitura exige mais luz, dirigir à noite se torna desconfortável e os óculos parecem não entregar mais a nitidez de antes. Quando essas limitações passam a interferir na autonomia, surge uma dúvida frequente: como funciona a facoemulsificação, técnica mais utilizada atualmente para tratar a catarata?

A facoemulsificação é uma cirurgia que remove o cristalino opacificado - a lente natural do olho afetada pela catarata - e o substitui por uma lente intraocular transparente. O procedimento é preciso, realizado por meio de microincisões e, na maioria dos casos, permite recuperação visual progressiva em pouco tempo. A indicação, o tipo de lente e o momento ideal da cirurgia, porém, dependem de uma avaliação oftalmológica completa.

O que a facoemulsificação trata

A catarata não é uma película sobre o olho, como muitas pessoas imaginam. Ela é a perda de transparência do cristalino, estrutura que ajuda a focalizar as imagens na retina. Com o envelhecimento, as proteínas desse cristalino podem se modificar e reduzir a passagem de luz. Diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares, inflamações, alta miopia e histórico familiar também podem contribuir para o seu aparecimento ou antecipar a sua evolução.

Óculos podem corrigir grau, mas não eliminam a opacidade do cristalino. Por isso, a cirurgia é o único tratamento capaz de remover a catarata. Não existe colírio, vitamina ou exercício visual que reverta essa alteração.

A decisão de operar não depende apenas de uma medida de acuidade visual. Ela considera o impacto prático na rotina: dificuldade para reconhecer rostos, trabalhar, ler, cozinhar, usar o celular, enxergar degraus ou dirigir. Em alguns pacientes, a catarata também impede uma boa visualização e o acompanhamento de doenças da retina ou do glaucoma, tornando a intervenção ainda mais necessária.

Como funciona a facoemulsificação passo a passo

A cirurgia geralmente é feita em ambiente hospitalar ou em centro cirúrgico oftalmológico, com anestesia local por colírios e, quando indicado, sedação acompanhada por equipe especializada. O paciente não sente dor durante o procedimento e permanece em uma posição confortável, sob monitorização.

O cirurgião realiza uma incisão muito pequena na córnea, por onde introduz instrumentos delicados. Em seguida, é feita uma abertura controlada na cápsula que envolve o cristalino. Essa cápsula é preservada porque servirá de suporte para a nova lente intraocular.

Um aparelho de ultrassom fragmenta e aspira o cristalino opaco. É essa etapa que dá nome à técnica: “faco” se refere ao cristalino, e “emulsificação” descreve sua fragmentação em pequenas partículas para remoção. A energia utilizada é cuidadosamente ajustada conforme a densidade da catarata, a anatomia ocular e as características de cada caso.

Depois de retirar o cristalino, o cirurgião implanta uma lente intraocular dobrável dentro da cápsula preservada. A lente se abre e se posiciona no local onde estava o cristalino natural. Como a incisão é pequena e autosselante na maior parte dos casos, frequentemente não há necessidade de pontos.

Em uma cirurgia sem intercorrências, o procedimento costuma durar poucos minutos. Isso não significa que seja simples: o resultado depende de planejamento, tecnologia apropriada, medidas precisas e experiência para lidar com particularidades como cataratas muito endurecidas, pupila pequena, cirurgias oculares prévias, glaucoma, alterações de córnea ou doenças de retina.

A escolha da lente faz parte do tratamento

A lente intraocular não é igual para todos os pacientes. Há lentes monofocais, que em geral priorizam a visão para longe ou para perto, e lentes com tecnologias que podem ampliar a faixa de foco e reduzir a dependência de óculos em situações selecionadas. Existem também lentes tóricas, desenvolvidas para corrigir astigmatismo corneano.

A melhor escolha depende dos exames, da saúde da retina e da córnea, do grau de astigmatismo, das atividades habituais e das expectativas do paciente. Uma lente com maior independência de óculos pode ser adequada para algumas pessoas, mas não é automaticamente a melhor opção para todos. Certas tecnologias podem causar halos, reflexos ou redução de contraste, especialmente em ambientes com pouca luz, e precisam ser indicadas com critério.

Avaliação antes da cirurgia de catarata

Antes da facoemulsificação, são realizados exames para confirmar a catarata, avaliar a pressão ocular, a córnea, a retina e o nervo óptico. A biometria ocular é uma etapa central: ela mede o olho e ajuda a calcular o grau da lente intraocular com alto nível de precisão.

O exame de fundo de olho e, quando necessário, a tomografia de coerência óptica auxiliam na identificação de alterações maculares, como degeneração relacionada à idade, edema macular diabético ou membranas. Essas condições não impedem necessariamente a cirurgia, mas influenciam a previsão de recuperação visual. A facoemulsificação remove a catarata, mas não trata doenças da retina ou danos já instalados pelo glaucoma.

Pacientes que usam medicamentos contínuos, especialmente anticoagulantes, remédios para próstata ou colírios para glaucoma, devem informar a equipe. A suspensão ou a manutenção de cada medicamento será definida individualmente. Não é recomendado interromper tratamentos por conta própria.

Em casos de catarata associada ao glaucoma, pode haver indicação de combinar procedimentos para reduzir a pressão intraocular e diminuir a necessidade de colírios. Essa estratégia exige análise detalhada, pois o objetivo é preservar a visão com segurança e definir a abordagem mais resolutiva para cada olho.

Recuperação após a facoemulsificação

Após a cirurgia, é comum perceber visão embaçada nas primeiras horas ou nos primeiros dias. O olho pode ficar mais sensível à luz, lacrimejar ou apresentar leve sensação de areia. Esses sintomas geralmente melhoram de forma progressiva com o uso correto dos colírios prescritos e o acompanhamento pós-operatório.

A qualidade visual pode evoluir rapidamente, mas o ritmo varia. Uma córnea mais sensível, uma catarata muito densa, olho seco, edema temporário da córnea ou doenças oculares associadas podem tornar a recuperação mais lenta. Por isso, comparar a evolução com a de outra pessoa nem sempre é útil.

Nos primeiros dias, o paciente deve evitar esfregar ou pressionar o olho, esforço físico intenso, piscina e contato direto de água não tratada na região operada. Também é necessário utilizar os colírios nos horários orientados, proteger o olho durante o sono quando recomendado e comparecer às consultas de revisão. Atividades leves costumam ser retomadas rapidamente, mas dirigir deve aguardar a liberação médica, conforme a qualidade da visão e a segurança individual.

Dor intensa, piora acentuada da visão, secreção importante, vermelhidão progressiva ou flashes de luz devem ser avaliados sem demora. Embora complicações sejam incomuns, sinais de alerta precisam de atendimento rápido para proteger o resultado cirúrgico.

Resultados e limites da cirurgia

A facoemulsificação apresenta excelentes resultados na maioria dos casos e pode restaurar nitidez, contraste e independência para tarefas cotidianas. Para muitos pacientes, voltar a enxergar melhor significa retomar a leitura, o convívio social, a mobilidade e a confiança para dirigir ou trabalhar.

Ainda assim, o resultado final não depende somente da retirada da catarata. Retina, córnea, nervo óptico e condições como glaucoma e diabetes também influenciam a visão obtida. Em alguns casos, pode permanecer a necessidade de óculos para determinadas distâncias, mesmo após uma lente bem calculada e uma cirurgia tecnicamente bem-sucedida.

Com mais de 15 anos de experiência e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella avalia cada caso de catarata considerando não apenas a opacidade do cristalino, mas toda a saúde ocular e as necessidades visuais do paciente. A decisão mais segura começa com um diagnóstico preciso e uma conversa objetiva sobre o que a cirurgia pode oferecer em sua rotina.

Se a visão perdeu qualidade e os óculos já não resolvem como antes, uma avaliação oftalmológica permite identificar se a catarata é a causa e definir o momento mais adequado para tratá-la. Enxergar melhor não deve ser apenas uma adaptação à perda visual, mas uma possibilidade concreta de recuperar autonomia com planejamento e segurança.

 
 
 

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