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Lente EDOF melhora a visão após catarata

Lente EDOF melhora a visão após catarata

29 de set.
5 min de leitura

A escolha da lente intraocular é uma das decisões mais relevantes na cirurgia de catarata. A Lente EDOF foi desenvolvida para ampliar a faixa de visão útil após o procedimento, oferecendo boa qualidade visual para atividades como caminhar, dirigir, usar o celular e acompanhar uma conversa à mesa, com menor dependência dos óculos em determinadas situações.

A catarata ocorre quando o cristalino natural do olho perde a transparência e passa a prejudicar a entrada de luz. O tratamento é cirúrgico: o cristalino opacificado é removido e substituído por uma lente intraocular. Essa lente não serve apenas para substituir a estrutura retirada. Ela também pode corrigir, em diferentes graus, problemas refrativos como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.

O que é uma Lente EDOF?

EDOF é a sigla para Extended Depth of Focus, ou profundidade de foco estendida. Em vez de formar pontos de foco separados para longe, distância intermediária e perto, como ocorre nas lentes multifocais tradicionais, esse modelo busca criar uma faixa de foco mais contínua.

Na prática, a proposta é favorecer a visão de longe e intermediária. Isso costuma atender bem tarefas cotidianas como assistir à televisão, fazer compras, enxergar o painel do carro, trabalhar diante do computador e utilizar o celular a uma distância confortável. Para leitura muito próxima, especialmente letras pequenas, muitos pacientes ainda podem precisar de óculos.

Essa característica diferencia a lente EDOF tanto das lentes monofocais convencionais, que priorizam uma distância focal, quanto das multifocais, que oferecem maior possibilidade de independência dos óculos para perto, mas podem gerar mais fenômenos ópticos em alguns casos.

Para quem essa lente pode ser indicada?

A indicação depende de uma avaliação oftalmológica detalhada. Não existe uma lente intraocular ideal para todos os olhos ou para todas as rotinas. O objetivo é alinhar as condições clínicas do paciente com suas necessidades visuais reais e suas expectativas após a cirurgia.

A lente EDOF pode ser uma boa alternativa para pacientes com catarata que desejam reduzir a dependência dos óculos, sobretudo para visão de longe e intermediária, mas entendem que a leitura de perto pode continuar exigindo correção em algumas circunstâncias. Também pode interessar a pessoas que valorizam uma boa qualidade visual noturna e têm preocupação com halos, reflexos ou dispersão de luz.

A avaliação inclui exames para medir o comprimento do olho, a curvatura da córnea, a saúde da mácula, do nervo óptico e da superfície ocular. A presença de glaucoma, alterações na retina, olho seco importante, irregularidades corneanas ou cirurgias oculares prévias pode modificar a indicação. Em pacientes com glaucoma, por exemplo, o controle da pressão ocular e a preservação do campo visual têm prioridade na definição da estratégia cirúrgica.

Astigmatismo também pode ser corrigido

Quando há astigmatismo corneano significativo, é possível considerar versões tóricas da lente EDOF. Esse planejamento permite corrigir a catarata e o astigmatismo no mesmo procedimento, reduzindo a chance de visão borrada causada por esse grau residual.

O cálculo da lente exige precisão. Pequenas variações na cicatrização, nas medidas oculares ou na posição final da lente podem influenciar o resultado refrativo. Por isso, a tecnologia de biometria e a análise individualizada são etapas centrais para uma cirurgia previsível.

Lente EDOF, monofocal ou multifocal: quais são as diferenças?

A lente monofocal costuma entregar excelente qualidade de visão em uma distância escolhida, geralmente para longe. Nesse caso, os óculos são frequentemente necessários para computador e leitura. É uma opção consolidada, especialmente adequada quando há doenças oculares associadas que limitam o potencial visual ou quando a prioridade é a máxima nitidez em um único foco.

A lente multifocal distribui a luz entre diferentes focos e pode proporcionar maior independência dos óculos para longe, intermediário e perto. Em contrapartida, exige uma seleção rigorosa. Alguns pacientes podem perceber halos ao redor de luzes, principalmente à noite, além de redução de contraste em determinadas condições de iluminação.

A lente EDOF ocupa uma posição intermediária. Ela tende a proporcionar uma transição mais ampla entre longe e intermediário, com menor ocorrência de alguns efeitos fotópicos quando comparada a determinadas lentes multifocais. Porém, isso não significa ausência total de halos ou garantia de que os óculos nunca serão usados. Cada tecnologia envolve vantagens e limites que precisam ser discutidos antes da cirurgia.

Como é a cirurgia de catarata com lente EDOF?

A cirurgia é realizada por microincisão, normalmente com anestesia local por colírios e, quando necessário, sedação monitorada. Por meio da facoemulsificação, o cristalino com catarata é fragmentado e aspirado. Em seguida, a lente intraocular dobrável é implantada dentro da cápsula que sustentava o cristalino natural.

Em geral, o procedimento é rápido e indolor. Na maioria dos casos, o paciente retorna para casa no mesmo dia, com orientação para utilizar os colírios prescritos e evitar esforço físico, contato com água não tratada e trauma ocular no período inicial de recuperação.

A melhora visual pode ser percebida nos primeiros dias, mas a estabilização varia conforme cada olho, o grau prévio, a saúde da córnea e da retina e a cicatrização. O acompanhamento pós-operatório é indispensável para avaliar pressão ocular, posicionamento da lente, inflamação e recuperação visual.

Resultados: o que esperar de forma realista

O principal benefício da lente EDOF é ampliar a funcionalidade visual em mais de uma distância. Para muitos pacientes, isso representa mais autonomia no cotidiano e menos trocas de óculos entre atividades. Ainda assim, o resultado não deve ser entendido como uma promessa de visão perfeita em todas as condições.

Leitura de bula, rótulos pequenos, costura, mensagens em fonte reduzida e trabalhos muito próximos podem exigir óculos. Ambientes escuros, pupilas maiores e olhos com alterações pré-existentes também podem afetar a percepção visual. A adaptação neural ocorre ao longo das semanas e faz parte do processo, mas não substitui uma indicação bem planejada.

A consulta pré-operatória deve incluir uma conversa objetiva sobre profissão, hábitos de leitura, direção noturna, uso de telas, atividades ao ar livre e expectativa em relação aos óculos. Um paciente que passa muitas horas com textos pequenos pode ter necessidades diferentes de outro que prioriza dirigir, viajar e enxergar bem no computador.

Segurança começa na indicação correta

A tecnologia da lente é relevante, mas não é o único fator que define um bom resultado. Diagnóstico preciso, controle de doenças como glaucoma e diabetes, cálculo biométrico confiável, técnica cirúrgica e acompanhamento pós-operatório são igualmente determinantes.

Com mais de 15 anos de experiência e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella avalia cada caso considerando a catarata, o grau refrativo e a saúde global dos olhos. Essa análise é especialmente importante em cirurgias combinadas ou em pacientes que apresentam glaucoma, alterações retinianas ou histórico de procedimentos oculares.

A lente EDOF pode oferecer uma excelente solução para quem busca ampliar a visão funcional após a cirurgia de catarata, mas a melhor escolha é sempre individual. Uma avaliação completa permite definir a lente que respeita tanto a anatomia do olho quanto a forma como você deseja enxergar sua rotina.

 
 
 

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