top of page
Guia de lentes intraoculares para catarata

Guia de lentes intraoculares para catarata

7 de out.
6 min de leitura

A escolha da lente intraocular é uma das decisões mais relevantes na cirurgia de catarata. Ela influencia como o paciente enxergará para longe, perto e em distâncias intermediárias após o procedimento. Este guia de lentes intraoculares esclarece as principais opções e mostra por que a definição da lente precisa ser individualizada, baseada em exames precisos, necessidades visuais e condições de saúde ocular.

A catarata ocorre quando o cristalino natural do olho perde a transparência. Durante a cirurgia, esse cristalino opacificado é removido e substituído por uma lente intraocular artificial, posicionada de forma permanente dentro do olho. O procedimento costuma ser rápido, realizado com anestesia local e, na maioria dos casos, permite retorno progressivo às atividades em poucos dias.

O que são lentes intraoculares?

As lentes intraoculares, também chamadas de LIOs, são implantes transparentes desenvolvidos para substituir o cristalino após a remoção da catarata. Elas não são lentes de contato e não exigem retirada, limpeza ou troca periódica. Uma vez implantadas, permanecem estáveis no olho.

A função básica de toda lente intraocular é restaurar a transparência do eixo visual e corrigir o grau calculado para a cirurgia. Porém, as tecnologias disponíveis oferecem possibilidades diferentes de foco. Algumas priorizam nitidez para longe; outras podem reduzir a dependência de óculos em mais de uma distância.

Não existe uma lente universalmente superior. Existe a lente mais adequada para cada olho, cada rotina e cada expectativa. A decisão correta depende de avaliação oftalmológica completa e de uma conversa objetiva sobre benefícios, limitações e possíveis adaptações após a cirurgia.

Guia de lentes intraoculares: principais tipos

Lente monofocal

A lente monofocal é a opção mais utilizada na cirurgia de catarata. Ela fornece foco de boa qualidade em uma distância principal, habitualmente para longe. Com esse planejamento, o paciente tende a enxergar bem para dirigir, caminhar, assistir televisão e reconhecer pessoas à distância, mas geralmente precisará de óculos para leitura, celular, rótulos e tarefas próximas.

Também é possível planejar uma lente monofocal para visão de perto, quando isso faz sentido para a rotina do paciente. Outra estratégia é a monovisão, em que um olho é ajustado para longe e o outro para perto. Nem todas as pessoas se adaptam bem a essa diferença, por isso a indicação deve ser cautelosa, especialmente em pacientes que nunca usaram monovisão com lentes de contato.

A principal vantagem da lente monofocal é a qualidade óptica previsível, com boa definição de contraste. Ela costuma ser uma escolha segura para pacientes com alterações na retina, glaucoma mais avançado, doenças da córnea ou outras condições que possam limitar o desempenho de lentes multifocais.

Lente monofocal tórica

A lente tórica é indicada para corrigir astigmatismo corneano relevante. O astigmatismo ocorre quando a córnea possui curvaturas diferentes, causando imagem borrada ou distorcida. Se não for tratado no planejamento cirúrgico, o paciente pode continuar dependente de óculos mesmo depois da retirada da catarata.

Uma lente monofocal tórica mantém as características da monofocal tradicional, mas acrescenta a correção do astigmatismo. Para que funcione adequadamente, ela precisa ser calculada e posicionada em um eixo específico. Por essa razão, medidas pré-operatórias detalhadas e técnica cirúrgica precisa são essenciais.

Lentes de foco estendido

As lentes de profundidade de foco estendido, conhecidas pela sigla EDOF, ampliam a faixa de visão funcional. Em geral, oferecem boa visão para longe e intermediária, facilitando atividades como usar computador, cozinhar, enxergar o painel do carro e conversar com pessoas a curta distância.

Para leitura de letras pequenas, especialmente com pouca iluminação, pode haver necessidade de óculos. Em comparação com algumas lentes multifocais, as EDOF costumam produzir menos fenômenos luminosos noturnos, como halos ao redor dos faróis. Ainda assim, essa percepção varia entre pacientes e deve ser discutida antes da cirurgia.

Lentes multifocais ou trifocais

As lentes multifocais modernas distribuem a luz para permitir visão em diferentes distâncias. As trifocais buscam oferecer desempenho para longe, intermediário e perto, reduzindo de maneira significativa a necessidade de óculos no cotidiano.

Elas podem ser adequadas para pacientes que desejam maior independência de correção óptica e apresentam córnea, retina, nervo óptico e superfície ocular em boas condições. Entretanto, exigem expectativas realistas. Alguns pacientes percebem halos, reflexos ou redução de contraste, principalmente à noite. Para quem dirige frequentemente no escuro, trabalha em ambientes com baixa iluminação ou tem doença ocular associada, essa escolha precisa ser ainda mais criteriosa.

A independência de óculos é um objetivo possível, mas não é uma garantia absoluta. Pequenos graus residuais, características do olho e demandas visuais específicas podem tornar necessário o uso ocasional de óculos, sobretudo para letras muito pequenas.

O que define a melhor lente para cada paciente?

A escolha não deve ser feita apenas pelo desejo de abandonar os óculos. A pergunta mais útil é: em quais situações você mais precisa enxergar bem? Um motorista que enfrenta estradas à noite pode ter prioridades diferentes de uma pessoa que lê por longos períodos ou trabalha diariamente diante do computador.

A avaliação considera hábitos profissionais, atividades de lazer, uso de celular, direção noturna, histórico de cirurgias oculares e experiência prévia com óculos ou lentes de contato. Também são analisadas as expectativas do paciente. Quem busca máxima qualidade de imagem em uma distância pode se beneficiar de uma estratégia diferente de quem prioriza versatilidade visual.

Os exames pré-operatórios avaliam medidas do comprimento do olho, curvatura corneana, profundidade da câmara anterior e características ópticas que permitem calcular o grau da lente. A topografia ou tomografia de córnea ajuda a identificar astigmatismo e irregularidades corneanas. Já a avaliação da retina e do nervo óptico é indispensável para verificar se existe alguma condição capaz de limitar o resultado visual.

Olho seco merece atenção especial. Quando a superfície ocular está instável, as medidas podem se tornar menos confiáveis e a qualidade visual após a cirurgia pode ser prejudicada. Nesses casos, tratar adequadamente a superfície do olho antes da biometria é parte importante do planejamento.

Catarata, glaucoma e doenças associadas

Pacientes com glaucoma podem realizar cirurgia de catarata e receber uma lente intraocular, mas o tipo de implante deve ser escolhido com prudência. Quando há dano significativo ao nervo óptico ou perda de campo visual, preservar contraste e qualidade de visão costuma ser mais relevante do que reduzir a dependência de óculos.

Em alguns casos, a cirurgia de catarata pode ser associada a um procedimento para controle da pressão intraocular. Essa abordagem combinada exige planejamento individual, pois a prioridade é manter a doença controlada e preservar a visão existente. Lentes multifocais não são automaticamente proibidas no glaucoma, mas sua indicação é seletiva e depende do estágio, da estabilidade e dos exames de cada paciente.

Alterações na mácula, degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética, cicatrizes corneanas e doenças do nervo óptico também podem influenciar a recomendação. A lente não trata essas doenças. Ela substitui o cristalino opaco, mas o potencial visual final depende do funcionamento de todas as estruturas oculares.

Como é a recuperação após o implante?

Após a cirurgia, é comum perceber melhora visual já nos primeiros dias, embora a estabilização possa ocorrer de forma gradual. O paciente utiliza colírios conforme a prescrição e comparece às consultas de acompanhamento para avaliar cicatrização, pressão ocular e posicionamento da lente.

Nos primeiros dias, recomenda-se evitar esforço físico intenso, coçar os olhos e contato com água não tratada. A liberação para atividades específicas varia conforme a evolução clínica. O retorno ao trabalho, à leitura e ao uso de telas costuma ser rápido, mas deve respeitar as orientações do oftalmologista.

Em algumas pessoas, meses ou anos após a cirurgia, pode ocorrer opacificação da cápsula que sustenta a lente. Isso não significa que a catarata voltou. Quando indicado, o tratamento é feito com capsulotomia por Nd:YAG laser, procedimento ambulatorial que cria uma abertura nessa membrana e restaura a passagem de luz.

Por que o planejamento cirúrgico faz diferença

A tecnologia da lente é relevante, mas não substitui diagnóstico, cálculo preciso e técnica cirúrgica. A qualidade do resultado começa na consulta: entender os sintomas, identificar doenças associadas, realizar exames confiáveis e alinhar o objetivo visual com o paciente.

Com 15 anos de experiência, mais de 15 mil procedimentos realizados e doutorado em Oftalmologia pela UNICAMP, o Dr. Kleyton Barella conduz a indicação cirúrgica com foco em segurança, precisão e resultado visual compatível com cada caso. Em cirurgias de catarata simples, complexas ou combinadas ao tratamento do glaucoma, a lente intraocular deve fazer parte de uma estratégia completa para preservar ou recuperar a autonomia visual.

A melhor decisão não é escolher a lente mais divulgada, mas a que respeita a saúde dos seus olhos e as atividades que dão sentido à sua rotina. Uma consulta detalhada permite transformar essa escolha em um plano cirúrgico seguro e realista.

 
 
 

Comentários


bottom of page