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Cirurgia PRK ou SMILE: qual técnica é indicada?

Cirurgia PRK ou SMILE: qual técnica é indicada?

11 de out.
5 min de leitura

Quem depende de óculos para dirigir, trabalhar diante de telas ou praticar atividade física costuma chegar à consulta com uma dúvida objetiva: cirurgia PRK ou SMILE? As duas técnicas podem corrigir erros refrativos e reduzir a dependência de óculos ou lentes de contato, mas não são procedimentos equivalentes nem intercambiáveis. A escolha exige avaliação detalhada da córnea, do grau, da estabilidade refrativa e da rotina de cada paciente.

A cirurgia refrativa deve ser indicada com base em segurança e previsibilidade, não apenas em preferência por uma técnica mais recente ou em relatos de recuperação de outras pessoas. Miopia, astigmatismo, espessura corneana, curvatura da córnea, presença de olho seco e atividades profissionais ou esportivas fazem diferença na decisão.

Cirurgia PRK ou SMILE: o que muda na técnica

A PRK, sigla para ceratectomia fotorrefrativa, é uma cirurgia a laser realizada na superfície da córnea. Após a remoção da camada mais superficial, o epitélio, o laser remodela o tecido corneano para corrigir o grau. Ao final, é colocada uma lente de contato terapêutica, que protege o olho durante a cicatrização inicial.

No SMILE, sigla em inglês para extração de lentícula por pequena incisão, o laser cria uma pequena lente de tecido no interior da córnea. Essa lentícula é retirada por uma microincisão, sem a criação de um flap corneano, como ocorre em outras modalidades de cirurgia refrativa. A técnica é utilizada principalmente para determinados casos de miopia, com ou sem astigmatismo, respeitando os limites definidos na avaliação pré-operatória.

Em ambos os procedimentos, o objetivo é alterar a curvatura da córnea para que a luz seja focalizada adequadamente na retina. O resultado esperado é visão sem correção ou menor necessidade de óculos e lentes, mas a técnica apropriada depende da anatomia ocular e da necessidade visual individual.

Quando a PRK pode ser uma boa indicação

A PRK é uma técnica consolidada, com excelente histórico de segurança e resultados visuais. Ela pode ser especialmente útil quando se deseja preservar mais tecido estrutural da córnea ou quando a espessura corneana não favorece outras abordagens. Também costuma ser considerada para pessoas expostas a impacto ocular, como praticantes de algumas lutas, atletas de contato e profissionais com risco de trauma na região dos olhos.

Outra situação relevante é a análise de irregularidades corneanas ou de características que exigem uma abordagem mais conservadora. A avaliação não se resume à medida da espessura: exames como topografia e tomografia de córnea permitem identificar padrões que poderiam aumentar o risco de enfraquecimento progressivo da estrutura corneana após a cirurgia.

A principal contrapartida da PRK está no pós-operatório. Nos primeiros dias, é comum haver ardor, lacrimejamento, sensibilidade à luz e oscilação visual. A lente terapêutica costuma permanecer até a cicatrização adequada do epitélio, geralmente por alguns dias. A recuperação funcional é gradual, e a estabilização visual pode levar semanas ou, em alguns casos, alguns meses.

Isso não significa que a recuperação seja inadequada. Significa que o paciente precisa planejar o período de afastamento de atividades, seguir rigorosamente o uso de colírios e comparecer aos retornos. Para muitas córneas, a PRK continua sendo a opção mais segura e tecnicamente indicada.

Em quais casos o SMILE pode ser considerado

O SMILE pode ser uma alternativa para pacientes com miopia e astigmatismo dentro dos parâmetros tratáveis pela técnica. Por ser realizado por uma pequena incisão e não envolver a remoção do epitélio da mesma forma que a PRK, tende a proporcionar menor desconforto inicial e retorno visual mais rápido para parte dos pacientes.

A preservação da superfície corneana também pode ser interessante em pessoas com tendência a sintomas de ressecamento ocular, embora isso não elimine a necessidade de investigar e tratar olho seco antes da cirurgia. Ardor, sensação de areia, visão flutuante e desconforto com lentes de contato devem ser relatados na consulta, pois a qualidade da lágrima influencia tanto os exames quanto a recuperação.

Entretanto, SMILE não deve ser entendido como uma escolha automática por ser uma técnica moderna. Ele não é indicado para todos os graus, todos os formatos de córnea ou todas as necessidades refrativas. Pacientes com hipermetropia, por exemplo, podem demandar a consideração de outras técnicas. Além disso, uma córnea com achados suspeitos nos exames deve sempre ser avaliada com prudência, independentemente da modalidade cirúrgica desejada.

Recuperação: qual permite voltar antes à rotina?

De forma geral, o SMILE costuma oferecer recuperação visual inicial mais rápida e menor desconforto nos primeiros dias quando comparado à PRK. Muitos pacientes conseguem retomar atividades leves em prazo curto, desde que a visão esteja adequada e que as orientações médicas sejam cumpridas.

Na PRK, a recuperação demanda mais paciência. Nos primeiros dias, a visão pode ficar embaçada e a sensibilidade à luz pode limitar o uso de celular, computador e direção. A melhora ocorre progressivamente após a cicatrização da superfície ocular. O tempo exato varia conforme o grau tratado, a resposta de cicatrização e as características individuais.

Em qualquer técnica, não se deve coçar os olhos, interromper colírios por conta própria, frequentar piscina ou mar precocemente nem retomar exercícios de impacto antes da liberação. A exposição solar exige atenção, sobretudo após a PRK, com uso correto de proteção indicada pelo oftalmologista.

Segurança começa antes do laser

O exame pré-operatório é a etapa que define se a cirurgia é segura e qual procedimento apresenta a melhor relação entre benefício e risco. A avaliação inclui medida refracional, exame ocular completo, análise da pressão intraocular, espessura e curvatura da córnea, mapeamentos especializados e investigação da superfície ocular.

Também é necessário avaliar a estabilidade do grau. Em geral, a cirurgia refrativa é considerada quando a refração está estável e o paciente tem idade compatível com a indicação. Alterações frequentes no grau podem comprometer a previsibilidade do resultado e devem ser investigadas antes de qualquer procedimento.

Doenças como ceratocone, catarata, glaucoma não controlado, alterações importantes da retina e algumas condições autoimunes podem mudar a indicação ou exigir tratamento prévio. Após os 40 anos, a presbiopia, conhecida como vista cansada, também precisa ser discutida. Corrigir a visão para longe não impede necessariamente a necessidade de óculos para leitura no futuro.

A decisão responsável inclui conversar sobre expectativas. A cirurgia reduz a dependência de correção óptica, mas não promete uma visão perfeita em todas as situações, nem impede mudanças naturais do olho ao longo dos anos. Algumas pessoas podem necessitar de óculos em condições específicas, como leitura prolongada, baixa iluminação ou direção noturna.

Como decidir entre PRK e SMILE

A pergunta correta não é apenas qual procedimento recupera mais rápido. A questão central é qual técnica oferece maior segurança para a sua córnea e melhor chance de atender à sua necessidade visual. Uma indicação bem feita considera os exames, a profissão, o esporte praticado, a exposição a trauma, o padrão de olho seco e a expectativa em relação à visão de perto e de longe.

Com mais de 15 anos de experiência e mais de 15 mil procedimentos realizados, o Dr. Kleyton Barella conduz a avaliação refrativa com foco em diagnóstico preciso e indicação individualizada. O objetivo não é direcionar todos os pacientes para uma única tecnologia, mas definir a estratégia cirúrgica mais adequada para preservar a saúde ocular e buscar um resultado visual seguro.

Se você usa óculos ou lentes e deseja entender se a cirurgia refrativa é uma possibilidade, a consulta oftalmológica é o momento de transformar comparações genéricas em uma decisão baseada nos seus olhos. Leve suas dúvidas, informe suas atividades diárias e permita que os exames definam o caminho mais seguro para a sua visão.

 
 
 

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